Lisboa vive um momento de ouro no que toca à gastronomia entre duas fatias de pão: as tão conhecidas sandes ganharam uma nova vida, deixando de ser um recurso rápido para se tornarem em opções bastante válidas à hora das refeições.
Já lá vai o tempo em que as sanduíches eram vistas com o desdém de “vou ali comer qualquer coisa”; a nova tendência de “sandes de autor” está a elevar este snack ao estatuto de prato principal, onde nem sequer faltam as curas artesanais e os pães de fermentação lenta.
Nós já provámos algumas e comprovamos que são autênticas refeições que satisfazem plenamente; por isso, se procuras “a próxima grande trinca”, segue o nosso guia com os spots que oferecem as sandes mais deliciosas da cidade.
As bifanas d’ A Parreirinha do Chile e do Afonso

Diz-se que são as melhores de Lisboa; pelo menos para nós, são! Se na Rua da Madalena as Bifanas do Afonso são um ritual de passagem para turistas e locais, com as suas fatias finas de carne “fritinha” em banha e alho que ensopam o pão; há uma “pérola” em Arroios que está a “roubar” algum protagonismo, embora até já exista há mais tempo (desde 1937): A Parreirinha do Chile.
Comecemos por esta, que tem uma nova gestão a cargo do Alexandre Nunes, sendo que (talvez não saibas) também tem uma sociedade com os próprios donos do Afonso das Bifanas. O resultado é uma receita aprimorada que muitos consideram ainda mais suculenta, sendo que a diferença está na frescura da carne, que é comprada diariamente no talho, marinada em vinho branco e frita numa frigideira transbordante de banha, louro e muito alho.
As Bifanas do Afonso, na Baixa, é uma tasca muito “pequenina” onde o pão consistente segura o peso de um “banquete dos deuses”. O ritual aqui é comer no largo em frente, fugindo ao aperto do balcão.
Seja no movimento frenético do Largo do Caldas ou no balcão autêntico de Arroios, o veredicto é unânime: em Lisboa, a bifana perfeita não é apenas comida, é uma instituição.

Lisboa rendeu-se à KAU Pastrami House, e nós também: foi uma das melhores sandes de carne que já comemos.
O novo fenómeno gastronómico aos comandos de Rui Matias tem a “paciência” como ingrediente secreto, que é o mesmo que dizer que incorpora nestas sandes de pastrami o mesmo rigor do barbecue texano.
É claro que o processo de cura de 21 dias que transforma o brisket numa carne que se desfaz ao toque também faz a sua magia, sem artifícios e servida de forma purista: carne suculenta, mostarda e o resistente pão caseiro de Montachique.
Mas atenção: a exclusividade tem um preço temporal: as filas à porta a partir do meio-dia e um stock diário que esgota frequentemente até às 14h. Se as quiseres mesmo provar, chega cedo.

A Focacceria Bread Maniacs fez subir de nível o mundo das sandes bem recheadas, com o Chef Bruno Marcelino a trocar o balcão pequeno por uma casa ampla em frente ao CCB, agora com esplanada e vista para o Rio Tejo.
A nova morada em Belém não é apenas maior; é um manifesto de sabor deste pão italiano em Lisboa, onde destacamos o recheio das sandes com os nomes mais “malucos” que vais encontrar deste lado da capital, como a “Choné”, a “Lunática”, a “Taralhoca” ou a “Destrambelhada”, entre muitas outras.
Adorámos uma das mais recentes apostas do Chef, a “Chanfrada”, uma sandes cheia de deliciosas almôndegas, molho de tomate, maionesa nudja e queijo parmigiano ralado.

O Let’s Pastrami oferece um espaço moderno de apenas 20 lugares, a estrela é a sanduíche Reuben (13€), que combina um generoso monte de carne de vaca fumada com o toque ácido da couve chucrute e o clássico molho Mil Ilhas.
Seja em pão brioche ou de fermentação natural, a experiência é rápida, urbana e focada na qualidade, ainda que julgamos que as carnes poderiam estar mais um dia ou dois sobre os fumos, para ficarem ainda mais intensas.

Se és fã de delis americanas e foges de menus complicados, o Tempo Deli é a tua próxima paragem obrigatória em Lisboa.
Localizado a poucos passos da Basílica da Estrela, este espaço foca-se na perfeição de apenas cinco sanduíches artesanais:
- A “Hero” do Mês: em fevereiro, é a vez da sanduíche de almôndegas com queijo parmesão (imperdível!);
- The Italian (13,5€): um festim de mortadela, salame, prosciutto e provolone;
- Honey Mustard (12,5€): o equilíbrio perfeito entre o peru fumado e o toque doce-picante da casa.
O espaço possui três ambientes distintos, incluindo uma sala no piso inferior ideal para trabalhar remotamente com Wi-Fi e sabor garantido.
Boubou’s Sandwich Club

A vencedora do Top Chef francês, Louise Bourrat, mais conhecida pelo seu restaurante de fine dining Boubou’s, trouxe o seu génio para o formato de rua com a abertura do Sandwich Club, onde as sandes são tratadas com a reverência de um prato de estrela Michelin.
Quando lá fores, tens mesmo de provar o “Octodog”, que é, nada mais nada menos que um “cachorro” de polvo com molho espanhol e maionese de harissa, que brilha não só pelo sabor como pelo seu aspeto visual; sim, não colocámos aqui a fotografia de propósito, para que possas lá ir ver com os teus próprios olhos.
Destaque ainda para a sandes Reuben, cheio de peito de novilho em tiras muito finas, chucrute da casa e queijo gouda derretido, tudo isto entre fatias de pão de fermentação natural.
Tosta Sandwich Kitchen

Não podemos criar um roteiro de sanduíches sem falar numa sandes muito especial, que todos os portugueses adoram, que são as prensadas numa tostadeira, as vulgares tostas. E se há um sítio em Lisboa onde esta especialidade é extremamente bem feita é no bairro dos Anjos, num pequeno espaço chamado Tosta.
O projeto do Chef Jake Goosen transformou a simples sandes numa iguaria única, com o “Cubano” a ser a estrela da companhia, recheada com porco desfiado, fiambre fumado, pickles, mostarda dijon, salsa verde, alho negro, provolone e uma maionese nudja picante que desafia o paladar.
O segredo especial? Diz quem já provou que o alho negro e os ingredientes fermentados dão uma profundidade de sabor raramente encontrada numa tosta comum.

O Bibs conquistou Lisboa com uma premissa simples: ingredientes de extrema qualidade e combinações improváveis, como esta Sandes de Sardinha Curada (na fotografia).
Nesta casa no bairro de Santos, o foco está no equilíbrio de texturas, com sandes crocantes, suculentas e com aquele nível de acidez que se funde nos pães brioche ou nas focaccias que parecem nuvens.
É, atualmente, um dos spots favoritos da geração que valoriza tanto o sabor como a estética do prato.
Good Duiche

Como o próprio nome indica, aqui o foco é a “boa sanduíche”. O Good Duiche aposta no conforto e na nostalgia, servindo opções que saciam a alma por apenas se apresentarem sandes de forma simples, mas muito gostosas.
A nossa preferida é a BBQ Pulled Pork Sandwich, que leva carne de porco desfiada, queijo flamengo, cebola e pickles caramelizados, maionesa de alho e molho barbecue. Wow!!!
Se não és fã de carne de porco, então é a sandes Chicken Piri Piri que te vai deixar “Louco”, com frango assado, queijo flamengo, pickels de tomate, fiambre-bacon e maionesa de molho piri-piri. Wow, wow!!!