A funcionar deste o distante ano de 1937, A Parreirinha do Chile é uma das mais antigas e típicas tascas lisboetas, tendo sido a minha primeira casa das bifanas em Lisboa, quando vivia no bairro de Arroios.
Ainda me lembro como se fosse hoje, sair do metro e sentir aquele delicioso cheiro ao molho da bifana, sem dúvida um dos ex-líbris da cidade no que respeita à gastronomia de rua.
A história mais recente
O mesmo aconteceu a um dos atuais sócios de A Parreirinha do Chile, Alexandre Nunes, que passava aqui todos os dias enquanto estudava, e mesmo enquanto fazia entregas quando era motorista.
Há pouco mais de um ano decidiu que este espaço poderia ser seu, e numa conversa com José Cardoso, o antigo dono de longa data (40 anos), resolveu ficar com o negócio, numa parceria com José Rodrigues e Carlos Rodrigues, os donos das Bifanas do Afonso.
De lá para cá, fizeram-se alguns ajustes às receitas das bifanas que se vendiam nesta casa, para se parecerem mais com aquelas que são consideradas, por muitos, como as melhores bifanas de Lisboa, as Bifanas do Afonso.
Só que esta casa em Arroios tem um “segredo” diferente: a carne de porco, que é comprada todos os dias no talho, é marinada em vinho branco, juntando-lhe vários condimentos para dar gosto, e depois é frita numa frigideira cheia (mesmo cheia) com banha, louro e muito alho, garantindo-lhe aquele perfume irresistível.
Hoje em dia, Alexandre Nunes diz que vende mais de 20 quilos de bifanas por dia, a 3€ cada uma, sempre compradas no próprio dia, o que as distingue das demais.
Uma rotina diária
Já quando por aqui passava todos os dias para ir estudar encontrava sempre muita gente à porta, fosse para “matar o bicho” ou para trincar uma das deliciosas bifanas d’A Parreirinha do Chile, sempre acompanhadas da típica imperial fresquinha.
As filas à porta continuam a ser constantes, especialmente às primeiras horas do dia, aos almoços e também quando começa a fazer-se tarde, mas não tens que esperar muito tempo para ser servido porque “elas” estão sempre a sair, fumegantes, como se quer.
A experiência Lisboa Secreta
Confesso que já não passava por esta casa há “demasiado” tempo. A última visita fez-me voltar a perceber que deveria cá vir mais vezes, uma vez que a qualidade, o bem-receber e, claro, os preços, são mais do que convidativos, numa casa que continua, apesar de mudança de gerência, a primar pela autenticidade e onde o sabor se destaca.
Mas há um pormenor que hoje, qualquer lisboeta, valoriza ainda mais, que é o facto de A Parreirinha do Chile não se encontrar nos habituais percursos turísticos, o que torna este sítio uma pérola no meio da cidade.
Assim que chegámos, fomos logo diretos ao balcão, com espaço para meia dúzia de convivas de cada vez, onde fizemos o nosso pedido: duas bifanas (3€ cada) e duas bebidas (a partir de 0,80€).
Em menos de dois minutos estávamos servidos. Algum picante e mostarda depois (eu gosto de meter sempre um destes molhos em cada uma das metades da bifana) sai o veredicto:
Tem qualquer coisa de diferente em relação às Bifanas do Afonso! Apesar de usarem a mesma receita… parecem mais suculentas. Será da carne fresca que chega todos os dias?”
São deliciosas, isso é uma certeza! Depois, passámos para uma das sandes que também está a ficar muito conhecida nesta casa: as Bifanas e os Preguinhos Grelhados (3,50€ e 4€), bem martelados e cheios de alho a acompanhar, surpreenderam-me. Quero repetir mais e mais vezes!
E o que há mais para comer?
Demos ainda conta de outros petiscos, para todos os gostos. Um deles, que nos fartámos de ouvir pedir, foi a Sandes de Courato (2,50€); a Entremeada (3€); Panados (3€); Filetes de Pescada (3€); Omeleta Simples (2€); ou os conhecidos salgados, a 1,80€ cada um.
Para acompanhar, tens ainda a sopa do dia (1,50€) e as bebidas, de onde se destaca a imperial (1,20€) e as taças de vinho (0,80€). Para os mais jovens, há sumos (latas a 1,50€) e águas a 1,20€.
Local, autêntico e (p)reservado
Com a nova gestão do Alexandre Nunes e dos irmãos Rodrigues, A Parreirinha do Chile tem registado um aumento de clientela nos últimos meses, não apenas porque aqui se come muito bem, mas por ainda ser um daqueles lugares muito especiais, cheios de autenticidade e ainda longe dos roteiros turísticos mais massivos.
Por isto, e por muito mais, parabéns aos novos donos… e que se mantenham assim para sempre sempre, a oferecerem-nos uma das melhores bifanas da cidade.
Morada: Praça do Chile 14A (Arroios)
Horários: de segunda a sexta-feira, das 7h às 19h; sábados das 9h às 15h
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