Os cafés e pastelarias da capital sempre foram espaços de união e reunião e alguns já o são desde o século XVIII.
Índice
Martinho da Arcada (1782)
É já há 238 (!) anos que o Martinho da Arcada dá vida e aroma a café à Praça do Comércio.
Fundado a 7 de janeiro de 1782, foi uma inovação para a época, numa cidade dominada por tabernas, e teve muitos nomes até se ter fixado na nomenclatura “Martinho da Arcada”, em 1845.
É café e restaurante e, ao longo de mais de dois séculos, foi porto de abrigo de governantes, políticos, militares, artistas e escritores.
Porém, o mais ilustre cliente assíduo foi Fernando Pessoa, que aqui escreveu alguns poemas.
Morada: Praça do Comércio 3 (Baixa)
Confeitaria Nacional (1829)
A funcionar desde 1829, a Confeitaria Nacional continua a ser propriedade da família que a fundou.
Se no início foi criada à semelhança das patisseries parisienses, depressa passou a fabricar iguarias bem tradicionais – o bolo-rei é, sem dúvida, um dos ex-líbris da casa e consta que foi neste estabelecimento que tal bolo começou a ser vendido em Portugal, em 1870.
Morada: Praça da Figueira 18B (Baixa)
Pastelaria Benard (1868)
Em 1868, Élie Benard abriu uma pastelaria na Rua do Loureto e este foi o ponto de partida da emblemática Pastelaria Benard, que se fixou depois na Rua Garrett, no Chiado, em 1902.
De realçar que o termo “pastelaria” só começou a ser usado em 1926, quando a Câmara começou a taxar as placas dos estabelecimentos em línguas estrangeiras.
Nos anos 40, a Pastelaria conhece nova gerência e o espaço recebe eventos memoráveis, destacando-se um jantar para a Rainha Isabel II durante a sua visita a Portugal, em 1957. A estrela da casa continuam a ser os croissants.
Morada: Rua Garrett 104 (Chiado)
A Brasileira (1905)
Depois da abertura da primeira Brasileira no Porto, em 1903, a capital depressa recebeu um espaço similar, inaugurado em 1905.
Embora tenha havido outra no Rossio, é a do Chiado que hoje persiste, onde Pessoa nos recebe na esplanada desde 1988.
É, sem dúvida, um dos locais mais emblemáticos do Chiado e foi palco de tertúlias intelectuais e artísticas que marcaram o início do século XX em Lisboa.
Morada: Rua Garrett 122 (Chiado)
Pastelaria Versailles (1922)
Inaugurada em 1922, a Versailles serviu de polo cultural e social das Avenidas Novas – foi o primeiro grande café do bairro.
Felizmente, mantém-se fiel a si mesma e por aqui ainda são raros os turistas. Toda a pastelaria é divinal mas nós continuamos a adorar os croquetes.
Morada: Avenida da República 15 A (Avenidas Novas)
Café Nicola (1929)
O que começou por ser Botequim do Nicola (italiano que o fundou, ainda no séc. XVIII) passou a Café Nicola, em 1929.
Em 1935, o espaço foi finalmente intervencionado com os detalhes que são hoje a sua imagem de marca, com destaque para as pinturas de Bocage e o estilo déco.
Foi, aliás, um dos espaços favoritos do poeta e ele ainda se faz sentir numa estátua presente na sala de refeições. Será sempre lembrado como ponto de encontro de intelectuais e agitadores sociais.
Morada: Praça Dom Pedro IV 24/25 (Rossio)
E já que estamos a falar de café, vale sempre a pena recordar os Cafés Negrita, fundada em 1924 e atualmente detentora do título de mais antiga torrefação de Lisboa.