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Os 6 cafés mais antigos de Lisboa

By Inês Santos Janeiro 27, 2020

“Beber um cafézinho” continua a ser o mote para combinar encontros na capital mas a verdade é que este ritual não é de agora.

Os cafés e pastelarias da capital sempre foram espaços de união e reunião e alguns já o são desde o século XVIII. Neste artigo, podes descobrir os 6 mais antigos da capital:

1 – Martinho da Arcada (1782)

É já há 238 (!) anos que o Martinho da Arcada dá vida e aroma a café à Praça do Comércio. Fundado a 7 de janeiro de 1782, foi uma inovação para a época, numa cidade dominada por tabernas, e teve muitos nomes até se ter fixado na nomenclatura “Martinho da Arcada”, em 1845. É café e restaurante e, ao longo de mais de dois séculos, foi porto de abrigo de governantes, políticos, militares, artistas e escritores – porém, o mais ilustre cliente assíduo foi Fernando Pessoa, que aqui escreveu alguns poemas.

Morada: Praça do Comércio, 3 (Baixa)

Foto: @flickr.com/photos/stijnnieuwendijk

2 – Confeitaria Nacional (1829)

A funcionar desde 1829 (há 191 anos, portanto), a Confeitaria Nacional continua a ser propriedade da família que a fundou. Se no início foi criada à semelhança das patisseries parisienses, depressa passou a fabricar iguarias bem tradicionais – o bolo-rei é, sem dúvida, um dos ex-líbris da casa e consta que foi neste estabelecimento que tal bolo começou a ser vendido em Portugal, em 1870.

Morada: Praça da Figueira, 18B (Baixa)

Foto: @flickr.com/photos/iseecat

3 – Pastelaria Benard (1868)

Em 1868, Élie Benard abriu uma pastelaria na Rua do Loureto e este foi o ponto de partida da emblemática Pastelaria Benard, que se fixou depois na Rua Garrett em 1902. De realçar que o termo “pastelaria” só começou a ser usado em 1926, quando a Câmara começou a taxar as placas dos estabelecimentos em línguas estrangeiras. Nos anos 40, a Pastelaria conhece nova gerência e o espaço recebe eventos memoráveis, destacando-se um jantar para a Rainha Isabel II durante a sua visita a Portugal, em 1957. A estrela da casa continuam a ser os croissants.

Morada: Rua Garrett, 104 (Chiado)

Foto: @lojascomhistoria.pt

4 – A Brasileira (1905)

Depois da abertura da primeira Brasileira no Porto, em 1903, a capital depressa recebeu um espaço similar, inaugurado em 1905. Embora tenha havido outra no Rossio, é a do Chiado que hoje persiste, onde Pessoa nos recebe na esplanada desde 1988. É, sem dúvida, um dos locais mais emblemáticos do Chiado e foi palco de tertúlias intelectuais e artísticas que marcaram o início do século XX em Lisboa.

Morada: Rua Garrett, 122 (Chiado)

Foto: @flickr.com/photos/art-ko

5 – Pastelaria Versailles (1922)

Inaugurada em 1922, a Versailles serviu de polo cultural e social das Avenidas Novas – foi o primeiro grande café do bairro. Felizmente, mantém-se fiel a si mesma e por aqui ainda são raros os turistas. Toda a pastelaria é divinal mas nós continuamos a adorar os croquetes.

Morada: Avenida da República, 15 A (Avenidas Novas)

Foto: @lojascomhistoria.pt

6 – Café Nicola (1929)

O que começou por ser Botequim do Nicola (italiano que o fundou, ainda no séc. XVIII) passou a Café Nicola, em 1929. Em 1935, o espaço foi finalmente intervencionado com os detalhes que são hoje a sua imagem de marca, com destaque para as pinturas de Bocage e o estilo déco. Foi, aliás, um dos espaços favoritos do poeta e ele ainda se faz sentir numa estátua presente na sala de refeições. Será sempre lembrado como ponto de encontro de intelectuais e agitadores sociais.

Morada: Praça Dom Pedro IV, 24/25 (Rossio)

Foto: @lojascomhistoria.pt

E já que estamos a falar de café, vale sempre a pena recordar os Cafés Negritas, fundada em 1924 e atualmente detentora do título de mais antiga torrefação de Lisboa.

Foto de capa: @lojascomhistoria.pt