Começamos por uma boa notícia: soubemos, pelo CEO do grupo Plateform que gere vários restaurantes em Lisboa, incluindo a mais recente e maior pizzaria da cidade, a ZeroZero de Belém, que o antiquíssimo restaurante Tavares poderá voltar a abrir em 2027, uma vez que tem as suas portas encerradas desde 2019.
Fundado em 1784, o restaurante Tavares, também conhecido por Tavares Rico (já vais perceber porquê) fica na Rua da Misericórdia, perto do Largo de Camões, e é considerado o mais antigo do país, destacando-se internacionalmente por também ser um dos mais “velhinhos” do Velho Continente.
Sempre fiel às suas raízes e tradições, só a partir de 1861, quando Vicente Caldeira assumiu a sua gerência, é que o restaurante Tavares assumiu uma preponderância ainda maior, especialmente por se ter tornado um lugar bastante exclusivo (apenas para “ricos”?!), com renovações decorativas que combinavam os estilos da Belle Époque e da Art Noveau, tornando-se o sítio predileto da aristocracia lisboeta, além de escritores como com os escritores Eça de Queirós, Ramalho Ortigão e Guerra Junqueiro.

As razões de ser tão “especial”
Ao longo dos vários anos, o Tavares sempre foi um espaço digno do seu tempo. Enquanto outros restaurantes históricos se transformaram radicalmente, este conseguiu preservar o seu ambiente clássico, onde cada experiência gastronómica era sofisticada e única, mantendo-se ainda como palco dos maiores eventos literários, debates políticos e diversas celebrações culturais.
A notoriedade e exclusividade do restaurante Tavares traduz-se não só na sua longevidade, mas também na capacidade de sempre ter conseguido atrair diferentes gerações de clientes, sem recorrer a ferramentas de marketing mais complexas. Recordo-me bem de passar pela sua porta, enquanto estudante, apenas para espreitar o seu glamour (naqueles dias, a minha carteira não podia suportar sequer um simples couvert).

Alguns factos curiosos sobre o Tavares
Já lá vão mais de dois séculos de histórias, que só quem teve o privilégio de viver nos seus tempos áureos, consegue reproduzir. De entre as mais atuais, é sabido que, no ano de 1980, Francisco Sá-Carneiro, então primeiro-ministro de Portugal, almoçou no Tavares no dia da sua morte, naquele que ainda hoje se considera um misterioso acidente de aviação.
Mais recente, em 2009, recordamos um dos momentos mais altos da longa história deste restaurante, quando o Chef José Avillez “comandou” a sua cozinha, levando-o a conquistar uma estrela Michelin.

Diz-se que um dos pratos mais conhecidos servidos no Tavares terá sido o clássico Bife à Marrare, considerado um dos mais históricos da capital.
O Tavares Rico, que é como o conhecemos melhor, não é apenas um dos mais antigos restaurantes da Europa, é a marca da autenticidade e excelência do nosso país.
Voltar a passar as suas portas, sentar numa mesa e ser servido “à antiga” vai, certamente, ser um marco assinalável, registo imperativo de notícia de primeira página dos jornais e abertura de noticiários televisivos, assim o esperamos.
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