Desde o elegante convite até à última peça de sushi, esta viagem até ao Omakase no Mimi curated by Yakuza deixou-nos completamente rendidos ao que é possível experienciar de magnificamente bem preparado na nossa cidade… e por um valor que nem é assim tão alto.
Entrar na mais recente aposta de um dos maiores “criadores” de restaurantes do nosso país, Olivier da Costa, é um convite a viajares pelo Japão através de um ritual gastronómico meticulosamente conduzido por um dos nossos Chefs de sushi preferidos, Alex Hatano, que já há alguns meses agarrou esta oportunidade para dar a conhecer toda a sua arte na preparação de 12 momentos que celebram a fusão entre a tradição japonesa e a cozinha contemporânea.
Nas palavras do próprio Olivier da Costa, com quem estivemos à conversa durante parte da nossa experiência,
O Mimi não é um restaurante by Olivier, é sim um manifesto da nossa confiança, do saber fazer que cultivámos no Yakuza e da vontade de criar algo verdadeiramente único e memorável. Mais do que um jantar, o Mimi curated by Yakuza é uma viagem sensorial pensada ao detalhe.”
Omakase significa “deixo ao seu critério”, regra materializada numa performance culinária de alta mestria, inovação e respeito absoluto pela tradição gastronómica do Japão, como vais entender no decorrer das próximas linhas.

O sítio, elegante e intimista
Quem vê por fora, não imagina o espaço intimista e reservado que vai encontrar lá dentro.
À entrada, um bar e duas mesas, para beber um copo antes de começar a usufruir desta incrível experiência.
Depois, passamos um pequeno corredor até um balcão de madeira curvilíneo com cerca de 12 lugares. Do outro lado da bancada com bancos altos, estão os mestres que nos vão guiar pelos 12 momentos (todos os dias são diferentes, dependente do peixe e dos ingredientes do dia) e, atrás de nós, algumas mesas para quem preferir seguir o menu à la carte, num total de 30 lugares disponíveis por noite.


A experiência Lisboa Secreta
Desde o primeiro prato, ficou claro que a proposta de Alex Hatano vai muito além da mera degustação: é uma performance que alia respeito pela tradição nipónica a ousadas notas de sofisticação contemporânea.
E o arranque não podia ser mais especial, através da apresentação de uma Senbei de Salicórnia com pimento vermelho, uma entrada crocante e surpreendente, que abriu o palato para as nuances gastronómicas que viriam.

Seguiu-se o Asari Dashi Miso, um caldo delicado e cheio de profundidade, que equilibrou suavidade com um toque reconfortante de tradição japonesa.
Já o Kari-kari de Maguro Trufado elevou a fasquia com a intensidade do atum bluefin, enriquecido pelo perfume envolvente da trufa, enquanto o Hagatsou Tataki trouxe leveza e frescura, numa celebração da textura e sabor do peixe cru ligeiramente braseado.
Entre os pratos mais memoráveis esteve o Lavagante no Beurre Blanc de Sake, onde a delicadeza do crustáceo encontrou uma fusão improvável e irresistível com o molho clássico reinterpretado pela subtileza do sake.

Se gostas de sashimi vais adorar o próximo momento, que mais uma vez nos encheu as medidas por apresentar um mix de diferentes espécies, com cortes puros, precisos e de uma frescura irrepreensível, facto que até podes comprovar por esta fotografia.

O próximo momento foi uma verdadeira Masterclass de como preparar nigiris, destacando aquilo que melhor define o conceito de omakase, a genuína celebração do peixe no seu estado mais sublime, com cada peça a ser moldada à mão, mesmo ali à nossa frente, revelando-se este um dos pontos altos da noite.


Carne… e um doce final
Se estavas à espera de um momento com carne, a chegada do Pastrame de Wagyu foi, sem dúvida, outro dos grandes pontos altos da noite.
Combina a tradição japonesa com uma abordagem fora da órbita, revelando uma carne extremamente macia e cheia de personalidade, onde o truque é molhar a sandes no acre molho (à base de Mostarda de Dijon) e dar uma grande trincadela de forma a absorveres todos os sabores em simultâneo, desde a sumptuosa carne à intensa frescura do caviar… é uma sandes simplesmente divinal e pecaminosa.

A experiência terminou da forma mais delicada possível, com o Pudim de Sake, sobremesa que encerrou o percurso no mesmo registo de sofisticação e subtileza, mas que, no meu caso, não satisfez plenamente, talvez por não ser assim tão fã de pudins… contrariamente ao Ringo (videógrafo da Lisboa Secreta) que acabou por comer o dele e o meu. Aqui não se “estraga” nada! (risos)
De salientar, por fim, que os 12 momentos foram acompanhados pelo vinho branco da casa, muito fresco e perfeitamente equilibrado para este tipo de refeição… sendo que ainda nos foram dados a provar dois tipos de sake diferentes, num pairing que julgámos perfeito e que realçou na perfeição a textura dos nigiris.
Só tivemos pena que a nossa visita não tivesse incluído os famosos grelhados no Konro, com o tradicional carvão japonês binchotan, que atinge elevadas temperaturas, conferindo aos alimentos um sabor profundo e distinto. Fazemos figas que para uma próxima visita tenhamos essa sorte.

No total, foram 98€ (sem bebidas) de uma experiência gastronómica que nunca mais iremos esquecer, especialmente por se tratar de um conceito de omakase 2.0, com uma visão mais autêntica e surpreendente da cozinha Oriental.
Morada: Rua Rodrigues Sampaio 94
Horários: de segunda-feira a sábado, das 19h às 00h (até quarta-feira), e das 19h às 01h (de quinta-feira a sábado)
Reservas: no site
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