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Estas expressões populares nasceram em Lisboa e todas elas têm uma história

Nelson Rodrigues Nelson Rodrigues

Estas expressões populares nasceram em Lisboa e todas elas têm uma história

Calhandreira, queres ir ao farrobodó ou vais ficar a ver navios? Estas são apenas algumas das várias expressões populares que surgiram em Lisboa. 😅

Mas há muitas mais, por isso juntámos meia dúzia e fomos à procura de explicações: Como, onde e porque razão surgiram? Ora espreita a nossa lista e descobre também as respostas.

“Calhandreira”

É preciso recuar até aos séculos XVII ou XVIII para descobrir as origens deste termo. Dizem os estudiosos que está relacionado com uma espécie de penico da época, o “calhandro”, que era despejado e lavado no Tejo por um grupo de serviçais, ao serviço das famílias mais nobre e ricas da cidade.

Ora, essas mulheres aproveitavam a oportunidade para ficar (demoradamente) à conversa, contando e bisbilhotando tudo o que se passava nas casas dos patrões. A partir daí, o termo “calhandreira” ficou para sempre, associado a quem se costuma meter na vida alheia.

@testemunhosdaescravatura.pt

“À grande e à francesa” e “Farrobodó”

Sabias que estas duas expressões nasceram no Palácio Chiado? Sim, aquele edifício histórico na Rua do Alecrim (nº 70) que hoje é um restaurante. Ambas estão relacionadas com os faustosos banquetes outrora servidos por Joaquim Pedro de Quintela, o primeiro Conde de Farrobo, no então Palácio Quintela.

Farrobo acabou por dar origem a farrobodó (e não forrobodó, como quase todos dizem) e a expressão perdurou até aos dias de hoje.

@palaciochiado

“Rés-vés Campo d`Ourique”

Foi mesmo, mesmo à justa? Então ficou rés-vés Campo de Ourique! Embora haja várias teorias sobre esta expressão, a mais consensual diz que remonta ao Terramoto de 1755 e ao violento maremoto que se seguiu. Este atingiu quase toda a cidade, mas não chegou ao bairro. Por um triz!

Há também quem diga que se deve ao traçado urbano de Lisboa no século XVII, cujos limites da cidade terminavam em Campo de Ourique, mais propriamente na Rua Maria Pia. Ou seja, ficava “à justa” de Lisboa.

@ParoquiadeSantoCondestavel

“Caiu o Carmo e a Trindade”

Mais uma expressão em que o Terramoto de 1755 tem culpas no cartório. Esse trágico acontecimento provocou a destruição dos antigos conventos do Carmo e da Trindade, dois dos mais importantes da cidade naquela época.

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O assombro foi tanto que a população logo espalhou a mensagem – “Caiu o Carmo e a Trindade!” – e a expressão ficou para sempre, estando agora relacionada com algo dramático ou com um acontecimento mau.

@Museu Arqueológico do Carmo

“Ficar a ver navios”

Deixaste passar uma excelente oportunidade que estava mesmo à tua frente? Pois, ficaste a ver navios, não foi? A origem desta expressão também não é consensual, mas há duas teorias mais conhecidas, ambas relacionadas com o Alto de Santa Catarina.

Uma, evoca os lisboetas que, não acreditando na morte de D. Sebastião, ficavam neste local à espera que o Rei regressasse num navio. Outra, vem do tempo dos Descobrimentos e dos armadores portugueses que subiam a esta colina para ver chegar os seus navios que chegavam das Índias, de África e do Brasil.

@nauticapress

“Meter o Rossio na Rua da Betesga”

Esta é fácil de perceber, sobretudo para os lisboetas. Se for o teu caso, de certeza que já passaste pela pequena rua da Betesga, que liga o Rossio à Praça da Figueira.

E, como calculas, o Rossio nunca caberia nos seus 35 metros de comprimento. Queres fazer algo impossível ou desproporcionado? Isso é “como meter “o Rossio na Betesga”.

Sabe mais sobre esta rua aqui!

@oinversodecabral

Foto de capa: @Museu Arqueológico do Carmo