Os antigos e charmosos palacetes de Lisboa - Lisboa Secreta
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Os antigos e charmosos palacetes de Lisboa

By Inês Santos Fevereiro 10, 2020

No início do séc. XX, Lisboa era detentora de edifícios bem carismáticos que acentuavam o charme burguês da cidade.

Os palacetes eram obras de traço arrojado e beleza inigualável — alguns foram até agraciados com o Prémio Valmor, que distingue, desde 1902, a qualidade arquitetónica de novos edifícios. Eis um roteiro por palacetes de outros tempos que merecem ser eternizados!

Palacete Empis

Localizado na Avenida Duque de Loulé, 77, a Casa Empis foi desenhada pelo arquiteto António Couto de Abreu. Em 1907, arrecadou o Prémio Valmor — segundo a CML foi, aliás, “o primeiro edifício premiado com Valmor a ser demolido, em 1954, ocupando atualmente o seu lugar um edifício de 7 andares”. O seu estilo arquitetónico define-se como Francisco I.

Foto: António do Couto Abreu (c. 1907) | Arquivo Municipal de Lisboa

Palacete neo-manuelino no Campo Grande

No início do séc. XX, este era um dos vários palacetes que povoava o Campo Grande. Acabaria por ser demolido em 1951 aquando da construção da Cidade Universitária.

Foto: Paulo Guedes (19–) | Arquivo Municipal de Lisboa

Palacete “Casa da Cerâmica”

No cruzamento do nº 5 da Rua Braamcamp com a Rua Mouzinho da Silveira existiu um palacete apelidado de “Casa da Cerâmica”. Seria demolido a meio do séc. XX.

Foto: Paulo Guedes (19–) | Arquivo Municipal de Lisboa

Palacete Valmor

O Palacete Valmor é dos poucos edifícios que chegou aos dias de hoje e chegou a ser, em 2019, uma guest house. Localizado no cruzamento da Avenida da República, 38, com a Visconde Valmor, foi edificado em 1906 com projecto do arquiteto Miguel Ventura Terra. Obteve, nesse mesmo ano, o prémio Valmor.

Foto: Paulo Guedes (19–) | Arquivo Municipal de Lisboa

Palacete na Praça Duque de Saldanha

Localizado na esquina entre a Praça do Saldanha, 12, e a Avenida da República, este belo palacete é outro dos poucos edifícios do início do século XX que ainda resistem. Terá sido edificado entre 1907 e 1908 com inspiração art-deco e acredita-se que o projeto foi de José Luís Monteiro. Chegou a ser sede de campanha de Mário Soares, que aqui discursou quando conquistou a Presidência da República. Ganhou a Menção Honrosa no Prémio Valmor de 1912.

Foto: Paulo Guedes (c. 1912) | Arquivo Municipal de Lisboa

Palacete da Avenida de Berna

Edificado em 1909, este palacete é ainda um dos belos edifícios que Lisboa ainda possui. O projeto foi do arquiteto Manuel Norte Júnior e foi das primeiras construções habitacionais da Avenida de Berna. Ocupa, portanto, o gaveto dessa avenida com a Avenida da República. Representa uma fusão de estilos arquitetónicos, com destaque para a Arte Nova, e chegou a ser sede da EMEL até 2013. Atualmente é propriedade da Junta de Freguesia das Avenidas Novas.

Foto: Estúdio Horácio Novais (post. 1933) | Arquivo Municipal de Lisboa

Palacete na Avenida da Liberdade

Situado no cruzamento da Avenida da Liberdade, 193, com a Rua Barata Salgueiro, este belo exemplar está ainda de pé. Define-se como um palacete romântico de final do século XIX e, desde 2018, é concept store da marca Massimo Dutti.

Foto: Paulo Guedes (19–) | Arquivo Municipal de Lisboa

Palacete Mendonça

Desde 1909, ergue-se na Avenida Marquês de Fronteira, 18-28, o Palacete Mendonça. O projeto deste palacete localizado no alto do Parque Eduardo VII foi do arquiteto Miguel Ventura Terra. Ganhou o Prémio Valmor em 1909 e alberga, atualmente, a sede mundial do movimento Ismaili Imamat.

Foto: Paulo Guedes (post. 1909) | Arquivo Municipal de Lisboa

Palacete Silva Graça

Construído em 1907 no cruzamento da Av. Fontes Pereira de Melo com a Rua Latino Coelho, o Palacete Silva Graça começou por ser a casa do fundador do jornal O Século, José Joaquim da Silva Graça. Por volta de 1930, começam as obras de transformação do palacete num hotel de luxo, que acabariam em 1933. Nasceu, assim, o luxuoso Hotel Aviz, cuja demolição aconteceu em 1962. Neste espaço situa-se, hoje em dia, o Sheraton. O projeto foi também do arquiteto Ventura Terra.

Foto: Paulo Guedes (post. 1908) | Arquivo Municipal de Lisboa

Palacete Seixas

O Palacete Seixas foi construído no início do século XX num estilo romântico de inspiração francesa, muito popular no final do século XIX. É o único edifício centenário da Praça Marquês de Pombal e alberga, desde 1997, a sede do Instituto Camões.

Foto: Paulo Guedes [19-] | Arquivo Municipal de Lisboa (Palacete Seixas à direita)

Casa Museu Doutor Anastácio Gonçalves, antiga Casa Malhoa

Localizada na Avenida 5 de Outubro, este palacete resistiu aos tempos e é, atualmente, um espaço museológico. O projeto, do arquiteto Manuel Norte Júnior, ganhou o prémio Valmor em 1905 e o edifício foi a casa e atelier do pintor José Malhoa, seu antigo proprietário. Em 1933, foi adquirido pelo Dr. Anastácio Gonçalves, que o doou ao Estado.

Foto: Paulo Guedes (post. 1905) | Arquivo Municipal de Lisboa

Palacete da Rua Tomás Ribeiro

Construído em 1909, este edifício foi pensado pelo arquiteto António C. Abreu e obteve a 4ª Menção Honrosa do Prémio Valmor desse ano. Situava-se na Rua Tomás Ribeiro, 4 – 7, na zona das Picoas, e foi demolido em 1954.

Foto: Paulo Guedes (c. 1909) | Arquivo Municipal de Lisboa

Palacete na Avenida Fontes Pereira de Melo

Ainda existente e bem conservado, este palacete situa-se na Av. Fontes Pereira de Melo, 28, e começou por ser uma moradia unfamiliar. O arquiteto foi Manuel Norte Júnior, um dos mais requisitados de então, e a construção obteve o Prémio Valmor de 1914. Desde 1954, é ocupado pelo Metropolitano de Lisboa.

Foto: Paulo Guedes (c. 1914) | Arquivo Municipal de Lisboa

Palacete Branco Rodrigues

De nome completo Casa de José Cândido Branco Rodrigues, este palacete foi assinado pelo arquiteto Manuel Norte Júnior e a sua construção seria finalizada em 1908. Situava-se na Avenida da República, 36 e, devido à sua beleza, conquistou a Menção Honrosa no Prémio Valmor desse ano. Foi demolido por volta de 1950.

Foto: Paulo Guedes (c. 1908) | Arquivo Municipal de Lisboa

Foto de capa: @Paulo Guedes (c. 1909) | Arquivo Municipal de Lisboa