Com uma vista arrebatadora, a Basílica da Estrela é um dos monumentos mais imponentes de Lisboa. Mas sabias que nasceu da promessa de uma rainha?
Se passas pela Estrela e só pensas nos dias de sol sentados no jardim a ler um livro, ou no Elétrico 28 que vai sempre cheio, para tudo. É que a Basílica da Estrela não é ‘só’ um monumento nacional, mas também o cenário escolhido para casamentos reais.
Construído no século XVIII, o templo religioso alberga também um miradouro ‘escondido’ com uma vista 360 — uma das melhores sobre Lisboa. Para além disso, e da sua vasta história, este edifício continua a somar marcos. Mandado erguer por D. Maria I, a primeira monarca reinante no feminino em Portugal, o monumento acolheu recentemente o matrimónio de uma princesa europeia.
‘Casa’ de rainhas e princesas
A história da Basílica da Estrela está intrinsecamente ligada à rainha D. Maria I, sobre a qual falaremos em breve. Mas, de momento, queremos destacar uma união que chamou a atenção de vários media nacionais, especialmente devido à escolha do lugar.
No Dia de São Valentim (14 de fevereiro), há relativamente pouco tempo, a princesa Leopoldina, filha do príncipe Gundakar, da família real do Liechtenstein, casou-se com o empresário Bruno Pedrosa (de origem brasileira).
O momento contou com a presença de diversas figuras de famílias reais europeias, incluindo o príncipe Henri de Ligne e o príncipe Louis do Luxemburgo, assim como D. Duarte Pio de Bragança e D. Isabel de Herédia e os seus filhos Afonso e Dinis.
Apesar de a escolha da Basílica da Estrela para o cenário desta boda real parecer inusitada, a verdade é que faz todo o sentido, tendo em conta que o jovem casal vive na capital portuguesa. Seja como for, aproveitamos este acontecimento para revisitar a história deste icónico monumento.
Promessas de sangue azul

A Basílica da Estrela nasceu, literalmente, de promessas de sangue azul. O que quer isto dizer? Em 1760, quando a ainda princesa D. Maria casou com o infante D. Pedro fez uma promessa ao Santíssimo Coração de Jesus: um templo religioso seria erguido, caso tivesse um filho varão para herdar o trono. Todavia, surgiram alguns constrangimentos.
Para começar, o reino vivia uma situação muito complicada devido ao devastador sismo de 1755. Neste sentido, todos os esforços económicos estavam centrados na reconstrução da capital, pelo que D. Maria esperou até 1779 para ordenar a edificação do templo, que viria a ser o primeiro do mundo dedicado ao Sagrado Coração de Jesus.
Além disso, o infante — batizado como D. José —, morreu dois anos antes da conclusão das obras. Mesmo assim, D. Maria I manteve a sua promessa e a construção da Basílica da Estrela foi terminada, em 1790.
Como é a Basílica da Estrela?

Classificada como Monumento Nacional desde 1910, a Basílica da Estrela é um lugar digno de visita e referimo-nos não só ao interior da igreja, mas também ao miradouro ‘escondido’ no seu alto que oferece uma vista 360º sobre Lisboa. Contudo, caso não tenhas oportunidade para entrar, aqui ficam alguns destaques.
O templo apresenta caraterísticas do estilo Barroco e Neoclássico. Merece destaque a fachada, dividida em dois pisos e sete panos, adornada por colunas dóricas, assim como o seu interior em tons cinzentos, rosa e amarelo. Além disso, a Basílica da Estrela contém diversas pinturas do italiano Pompeo Batoni.
Entre lendas do passado e casamentos reais do presente, a Basílica da Estrela é muito mais do que um ponto de paragem turístico. E tu, já conhecias o ‘sangue azul’ deste símbolo de Lisboa, ou costumas ficar apenas nas sombras do jardim?
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