Toda a gente sobe à Pena. Quase ninguém sobe à Peninha. Fica na freguesia de Colares, onde a serra acaba e o Atlântico começa, a 488 metros de altitude. Num dia limpo, a vista vai do Cabo Espichel até às Berlengas, com o Cabo da Roca e o Guincho ali em baixo. Não se paga bilhete, não há filas, e à volta há um trilho oficial que dá a volta ao monte em cerca de duas horas.
Uma pastora muda, uma ovelha perdida e uma arca cheia de pão
A lenda, tal como a conta a Parques de Sintra, é do tempo de D. João III: uma pastora de Almoinhas Velhas, que nunca tinha dito uma palavra, perdeu uma ovelha no monte. Uma senhora devolveu-lha e mandou-a a casa chamar pela mãe — e a voz saiu-lhe. Na arca havia pão para a aldeia inteira. No sítio do encontro, a aldeia achou a imagem de Nossa Senhora.

O culto é mais antigo: no século XII, Pêro Pais, alferes de D. Afonso Henriques, ergueu aqui uma ermida a São Saturnino, cujas ruínas ainda lá estão. A capela atual é do fim do século XVII, obra de Frei Pedro da Conceição com esmolas dos fiéis e apoio de D. Pedro II. O conjunto é Imóvel de Interesse Público desde 1977.
O palacete que parece uma fortaleza — e vai ser restaurado
Em 1918, António Augusto Carvalho Monteiro, o milionário da Regaleira, encostou à capela um palacete com ar de castelo em miniatura. O interior da capela só se vê nas visitas guiadas da Parques de Sintra, aos domingos — uma hora, 7,50 €, gratuito até aos 17 anos. O que está livre e a valer a viagem, são os terraços e o adro.
E há uma razão para ir agora: de acordo com informação avançada pelo Observador, o presidente da Parques de Sintra, João Sousa Rego, anunciou à Lusa um restauro por fases, com cerca de um milhão de euros na primeira e concurso até ao fim do ano. Começa pela capela e acaba num núcleo museológico. A Peninha que vês hoje está prestes a mudar.
O trilho: cerca de 5 km, circular, quase sempre à sombra
O PR10 SNT – Peninha, promovido pela Câmara de Sintra, parte do estacionamento do santuário: a Câmara indica 4,5 km e duas horas e meia, a AllTrails mede 5 km e hora e meia. Depois das ruínas, o caminho desce pela floresta até um parque de merendas e a um ramal para a Anta de Adrenunes, penedos empilhados que terão sido uma necrópole megalítica. Quem tiver pernas sobe ainda às Pedras Irmãs.
Como chegar
De carro, pela EN-247, por Colares ou pela Malveira da Serra. Não há autocarro até lá acima: a Parques de Sintra indica o 1253, de Sintra, com paragem na Estrada do Cabo da Roca e 25 minutos a pé. Com risco de incêndio muito elevado, a Câmara de Sintra fecha a serra e o santuário. E leva casaco: é o ponto mais ventoso da serra.
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