Cada vez mais, há restaurantes, cafés e outros estabelecimentos que procuram adaptar-se em demasia às novas modas, correndo o risco de perder a sua essência. Situado no coração de Lisboa, na Rua das Portas de Santo Antão, o Solar dos Presuntos é um daqueles casos que não só tem sobrevivido ao passar do tempo, mas que também soube crescer, sem perder o foco na sua receita-base: servir comida portuguesa robusta.
Criado em 1974 por Evaristo Cardoso e pela mulher, Maria da Graça Cardoso, o restaurante nasceu como uma pequena taberna onde a gastronomia minhota assume grande protagonismo. Atualmente, o espaço cresceu e ocupa três pisos, com mais de 300 lugares sentados; as influências minhotas ainda estão lá, como o Cabrito assado à moda de Monção, mas a carta reúne agora outras propostas, incluindo, por exemplo, opções vegetarianas.
O “melhor restaurante da Europa”

Recentemente, o Solar dos Presuntos foi considerado o Melhor Restaurante da Europa, no âmbito dos Prémios AURUM Europa – Excelência Enogastronómica, atribuídos em dezembro pelo Conselho Europeu de Confrarias Enogastronómicas, em O’Grove, na Galiza.
Em declarações citadas pelo jornal Expresso, Pedro Cardoso, proprietário do restaurante lisboeta, destacou a “enorme honra” pela “atribuição deste prestigiado prémio”, salientando também o papel fundamental dos seus colaboradores e mencionando ainda o esforço de todos os profissionais do setor de restauração “que lutam diariamente, muitas vezes sem o devido reconhecimento, mas que continuam a elevar a gastronomia”.
Uma casa que nunca foi discreta
Na Lisboa Secreta adoramos escrever sobre ‘segredos’ da cidade, mas no caso do Solar dos Presuntos, a verdade é que nunca tentou ser uma joia escondida. De facto, este espaço sempre foi falado e frequentado. Todos os lisboetas (ou quase) conhecem o restaurante – ou, pelo menos, já ouviram falar. Afinal, é presença habitual em listas gastronómicas de referência.
Desde os tempos em que serviam os atores e gente ligada ao Parque Mayer, o estabelecimento ficou conhecido como uma verdadeira casa de artistas. Mais tarde, os rostos famosos que se renderam aos seus sabores portugueses estenderam-se a figuras do mundo do futebol e da música. Nasser Al-Khelaifi (presidente do PS Germain), David Beckham, Jorge Jesus, Roger Waters (Pink Floyd), Madonna e os Scorpions são algumas das personalidades que não resistiram aos encantos da cozinha tipicamente portuguesa.
Cozinha portuguesa, com certeza!

Do marisco ao peixe, sem esquecer as doses generosas de carne e opções vegetarianas, no Solar dos Presuntos não há dúvidas: esta é uma casa portuguesa, com certeza. Para isso, basta espreitar a carta, disponível para consulta online.
A fama e a qualidade do espaço justificam os preços praticados acima da média, mas, mesmo assim este pode ser um local a considerar para uma ocasião especial, seja a nível pessoal ou profissional. Com uma avaliação de 4,5 no Google, em cerca de seis mil críticas, parece ser difícil sair insatisfeito.
Quando vale a pena? E quando não vale?
Para quem procura uma experiência gastronómica que respeita a tradição e não poupa esforços na qualidade, assim como para quem aprecia movimento e restaurantes cheios, o Solar dos Presuntos é uma paragem (quase) obrigatória.
Porém, talvez não seja a melhor opção para quem deseja um ambiente recatado e longe da ‘confusão’. Mesmo assim, convém destacar que isto não é necessariamente um problema, visto que há salas privadas para jantares mais íntimos e opções para grupos.
Um clássico intemporal
A tradição parece ser o melhor aliado do restaurante lisboeta, mas tal não significa imobilidade. Um sinal de adaptação – e também de inclusão e – passa pela aposta num ciclo especial de formação de português para membros da equipa de origem nepalesa. Um exemplo de integração para os funcionários e, provavelmente, de maior satisfação para os clientes nacionais.
Numa altura em que a ‘pressão’ da reinvenção é uma constante tanto no mundo online como offline, o Solar dos Presuntos é a prova de que não precisa de parecer outra coisa. Basta continuar a ser aquilo que sempre foi. E talvez seja por isso que continua cheio – e a ser destacado além-fronteiras.
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