Afinal, o Padroeiro da cidade de Lisboa é Santo António e não São Vicente, que até hoje julgávamos ser o Padroeiro da cidade? Vamos contar-te tudo sobre este grande mistério da cidade.
É verdade! Apesar de muitos alfacinhas pensarem que o São Vicente é o Padroeiro de Lisboa, não é! Na verdade, o verdadeiro Padroeiro da cidade de Lisboa é Santo António.
Quem nos contou tudo foi o coordenador do Museu de Lisboa – Santo António, Pedro Teotónio Pereira; e é esta a versão real de todos os acontecimentos.
Estás confuso? Comecemos pelo início!
Quem foi São Vicente?

São Vicente foi um mártir espanhol que viveu entre os séculos III e IV. Renunciou a adorar os deuses pagãos do Império Romano e abandonou a sua fé, tornando-se mártir.
Foi, portanto, condenado à morte e, segundo consta, o seu corpo foi protegido dos abutres por um corvo. Mais ainda, o seu corpo terá sido lançado ao mar e depois devolvido pelas marés, pelo que foi nesta altura que se começou a falar de “milagre”.
Mais tarde, por volta do século VIII, quando os muçulmanos invadiram a Península Ibérica e transformaram igrejas em mesquitas, os cristãos colocaram o corpo de São Vicente num barco e lançaram-no à deriva no mar, na esperança de que isso os salvasse, como um milagre.
O corpo do santo deu à costa no Promontório Sacro, Cabo de Sagres, que viria a ser, mais tarde, o Cabo de São Vicente.
Mas qual é a sua relação com Lisboa?

Segundo reza a lenda, a relação com a capital portuguesa manifesta-se apenas no século XII, quando D. Afonso Henriques prometeu recuperar os restos mortais do São Vicente se conquistasse Lisboa aos muçulmanos.
D. Afonso Henriques conquistou Lisboa em 1147, após um cerco que demorou 60 dias. No entanto, como o Algarve, na altura, ainda se encontrava dominado pelos mouros, e porque não se sabia ao certo onde se encontravam as ossadas, só em 1173 foi possível cumprir a promessa.
Depois de encontradas, as ossadas foram transportadas para Lisboa de barco, novamente guardadas por dois corvos. Este é também o motivo pelo qual se veem na bandeira de Lisboa as duas aves.
No dia em que a embarcação chegou a Lisboa, São Vicente tornou-se “oficialmente” o Padroeiro de Lisboa, denominação que só em 1981 seria reconhecida, mas como Padroeiro Principal do Patriarcado de Lisboa.
Então, e o Santo António?

Santo António é, digamos, o Padroeiro Principal da cidade de Lisboa, não apenas segundo a “escolha popular”, mas também por decreto.
Vamos por partes: em 1981, no Patriarcado de Lisboa, Santo António de Lisboa passa a ser venerado, a nível litúrgico, como Padroeiro Principal da cidade de Lisboa, celebrando-se, na capital e nas demais igrejas do Patriarcado, o ritual de Festa, como se transcreve do Missal Romano atual.
Para que percebas melhor, segundo a história, o Concílio Vaticano II e decorrente reforma litúrgica determinam a clarificação de diversos aspetos no que respeita à liturgia da Igreja, designadamente no particular dos Padroeiros.
Na sua sequência, a Congregação dos Ritos estabelece a possibilidade de existência de apenas um Padroeiro Principal e, nos casos em que se justifique, um Padroeiro Secundário.
Assim, em 1981, foi elaborado, aprovado pelo Cardeal-Patriarca de Lisboa Dom António Ribeiro e submetido à Sagrada Congregação para os Sacramentos e Culto Divino o texto latino do Próprio para o Missale Romanum, que lhe concedeu confirmação por Decreto de 24 de março de 1981 (Prot. CD 472/81).
A tradução foi inserida em apêndice como texto oficial para o Patriarcado de Lisboa no Missal Romano, por Decreto de 10 de maio de 1981 do Cardeal-Patriarca, ficando pois, definido que:
- 22 de janeiro
- São Vicente, Diácono e Mártir, Padroeiro Principal do Patriarcado de Lisboa (Solenidade);
- 4 de fevereiro
- São João de Brito, Presbítero e Mártir, Padroeiro Secundário da cidade de Lisboa (Memória);
- 13 de junho
- Santo António de Lisboa, Presbítero e Doutor da Igreja, Padroeiro Principal da cidade de Lisboa (Solenidade).
Ver vídeo a partir do minuto 38:11.
Também ele lisboeta, sempre foi muito adorado em Lisboa, e em Portugal no geral. É conhecido por ser casamenteiro, e daí os festejos e os Casamentos de Santo António no dia 13 de junho.
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