Quase 20 anos depois da primeira edição, o nosso País tem novas maravilhas para descobrir — e uma delas ergue-se bem no coração da cidade das Sete Colinas. Com quase nove séculos de segredos e resiliência, a imponente Sé de Lisboa acaba de ser distinguida na categoria Religião nas “Novas 7 Maravilhas de Portugal”, um concurso de voto popular dedicado ao património construído português.
Na edição de 2026, de um total de 21 finalistas, apenas sete patrimónios conquistaram este cobiçado título. O grande foco deste ano foi celebrar o nosso património, do mais antigo ao mais contemporâneo, dividindo-se nas categorias: História, Grandes Obras, Arquitetura do Século XX, Arquitetura do Século XXI, Turismo, Castelos e, claro, Religião. A final realizou-se a 12 de setembro, no Palácio Nacional de Sintra.
De fortalezas medievais e vestígios arqueológicos, a adegas futuristas, jardins labirínticos e mercados cheios de alma, há um roteiro inteiro para explorar. Vamos conhecê-los?

A Sé de Lisboa é considerada a igreja mais antiga da cidade e um dos monumentos mais emblemáticos do País. O primeiro impulso construtivo ocorreu após a reconquista cristã de Lisboa, em 1147, durante o reinado de D. Afonso Henriques. O edifício foi erguido, ao que tudo indica, sobre a antiga mesquita muçulmana.
Ao visitá-la, vais deparar-te com uma fascinante mistura de estilos arquitetónicos que vão desde o românico original até ao gótico, barroco e neoclássico, moldada ao longo dos séculos e após o terramoto de 1755.
Não percas a oportunidade de subir ao coro alto para apreciar a imponente rosácea e ter uma vista privilegiada sobre o interior, explorar a capela de Bartolomeu Joanes, descer às escavações do claustro e maravilhar-te com o acervo único do Tesouro da Sé Patriarcal.

Na categoria dos Castelos, o grande vencedor foi o de Leiria — e a vitória não podia ter um sabor mais especial. Erigido no alto de uma colina com uma vista panorâmica de cortar a respiração, este monumento do século XII parece saído de um conto de fadas, mas provou ter uma força inabalável.
Recentemente, a fortaleza mandada construir por D. Afonso Henriques enfrentou uma das suas maiores provações: a passagem da tempestade Kristin. No início do ano, o mau tempo devastou a região e causou prejuízos na ordem dos milhões de euros. Mas o gigante de pedra resistiu. Após rápidas obras de reparação, o Castelo de Leiria já reabriu portas e está pronto para te receber.
Aqueduto da Usseira

Óbidos é considerada uma das vilas medievais mais bonitas perto de Lisboa e, claro, além-fronteiras também. Contudo, quem mereceu o epíteto de nova maravilha de Portugal não foi o seu imponente castelo, mas, sim, o Aqueduto da Usseira.
Esta estrutura venceu na categoria Grandes Obras e foi construída no século XVI, durante o reinado de D. Catarina de Áustria, com o objetivo de levar água até à vila. Ao todo, este exemplar de engenharia hidráulica estende-se por cerca de três quilómetros.
Ruínas Romanas de São Cucufate

A presença romana sente-se de norte a sul de Portugal — e a prova disso é que Conímbriga ou a cidade de Ammaia não são os únicos tesouros para contemplar em território nacional. É no coração do Alentejo que se encontra a grande vencedora da categoria História: as Ruínas Romanas de São Cucufate, no concelho da Vidigueira.
Situadas perto de Vila de Frades, estas ruínas escondem um complexo com cerca de dois mil anos. Esta antiga villa agrícola impressiona não apenas pela sua vasta dimensão, mas por um detalhe incrivelmente raro em toda a Península Ibérica: o seu primeiro piso ainda se ergue de forma imponente, resistindo à passagem dos milénios.
Mercados de Olhão

Depois da categoria História, chegou a altura de conhecermos o vencedor da Arquitetura do Século XX. Para isso, fazemo-nos à estrada rumo ao Algarve para contemplar a beleza inconfundível dos Mercados de Olhão.
A construção destes dois icónicos edifícios de tijolo vermelho, famosos pelas suas cúpulas nos cantos, começou em 1912, mas a inauguração oficial só aconteceu em 1916.
Desde então, são o verdadeiro coração da cidade e o grande palco da gastronomia algarvia: num dos edifícios as bancas enchem-se de frutas e legumes frescos da região; no outro, brilha o peixe e o marisco acabado de pescar na Ria Formosa.
Tiago Cabaço Winery, em Estremoz
A mais recente edição das “Novas 7 Maravilhas de Portugal” distinguiu a Arquitetura do Século XXI, e o prémio viajou direto para a Tiago Cabaço Winery, em Estremoz.
Situado numa das mais famosas regiões vitivinícolas do país, este edifício surpreende ao surgir perfeitamente camuflado entre as vinhas e a típica paisagem alentejana.
É a prova viva de que a beleza da arquitetura pode (e deve!) manifestar-se mesmo em projetos com funções puramente produtivas, aliando a atividade vitivinícola à integração no ambiente envolvente.
Jardim do Paço Episcopal, em Castelo Branco

Na categoria Turismo, o grande vencedor foi o Jardim do Paço Episcopal de Castelo Branco, não apenas um dos espaços mais icónicos da cidade, mas um autêntico postal ilustrado do barroco em Portugal.
Construído na primeira metade do século XVIII, o jardim surpreende pelos seus diferentes patamares, onde é possível passear por labirintos de buxo, espelhos de água e imponentes escadarias.
Mas o grande destaque vai para as suas famosas (e peculiares) estátuas de pedra — repletas de mensagens ocultas e simbolismo histórico —, que tornam a visita a este espaço numa verdadeira caça ao tesouro.