Da dobragem do Cabo das Tormentas à viagem marítima para a Índia, no século XV, Portugal ajudava a mapear e ultrapassar as fronteiras do desconhecido. Na zona de Belém, as naus partiam rumo a aventuras ultramarinas. Foi aí que, no século XVI, a antiga praia do Restelo ganhou um novo protagonista em pedra: a Torre de Belém. Hoje, mais de 500 anos depois da sua construção, este postal à beira-Tejo continua a atrair a atenção de inúmeros visitantes.
É Monumento Nacional desde 1907 e Património Mundial da UNESCO desde 1983, classificação que partilha com o Mosteiro dos Jerónimos. Bastião militar, posto aduaneiro, prisão política e farol: os papéis atribuídos à Torre de Belém (originalmente chamada Torre de São Vicente, em honra do padroeiro de Lisboa) foram mudando ao longo do tempo. O que nunca mudou foi a sua presença imponente diante do rio; e agora é possível descobri-la por dentro num tour guiado pelas suas salas, recantos escondidos e terraços com vista para o Tejo.
4 Novembro 2026 11:00 + mais datas disponíveis
Torre de Belém
Uma fortaleza manuelina no Tejo

A Torre de Belém integrou um plano de defesa da barra do Tejo concebido no reinado de D. João II e continuado por D. Manuel I. O objetivo era proteger o acesso marítimo a Lisboa, num sistema que articulava fortificações e embarcações artilhadas. Mandada construir por D. Manuel I, as primeiras pedras da Torre de Belém foram lançadas em 1514 e as suas obras foram concluídas por volta de 1520, indica o site do Património Cultural.
O projeto, de Francisco de Arruda, inclui guaritas com cúpulas de inspiração mourisca, e a fachada exibe símbolos manuelinos como a esfera armilar e a Cruz da Ordem de Cristo. Há ainda uma curiosidade sobre a sua origem: nos primeiros tempos, o edifício erguia-se sobre um pequeno afloramento rochoso. Com o passar dos séculos, a margem foi avançando até chegar a ele.
Da vida militar à prisão
Um dos episódios militares mais marcantes da Torre de Belém ocorreu em 1580, durante a crise de sucessão, quando a guarnição se rendeu às tropas do duque de Alba, que abriam caminho a Filipe II de Espanha, futuro Filipe I de Portugal. Com o domínio filipino, os antigos paióis do baluarte passaram a servir de calabouços para presos políticos, uma prática que se manteve com D. João IV.
Do que podes ver à renovação mais recente

No interior da Torre de Belém podes visitar a Sala do Governador, a Sala dos Reis, a Sala das Audiências, a Capela e o terraço. A circulação entre os pisos faz-se por uma escada em caracol estreita, que condiciona o número de visitantes em simultâneo.
Segundo o jornal Observador, a Torre de Belém esteve de portas fechadas durante um ano, visto que foi alvo da primeira grande intervenção desde 1998. As obras custaram cerca de um milhão de euros, financiadas no âmbito do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) e motivaram mudanças no sistema de visitas do monumento. A reabertura trouxe um novo regime de entradas por horário, limitado a 60 pessoas a cada meia hora, para reduzir as filas e melhorar as condições de segurança e preservação do monumento.
Se nunca subiste ao alto da Torre de Belém, aproveita e prepara-te para contemplar uma vista panorâmica que abrange o Tejo, Belém e a margem Sul!
Informações úteis
Morada: Av. Brasília, Lisboa, 1400-038.
Horário: acesso regular ao monumento de terça-feira a domingo, das 9h30 às 17h30, com última entrada às 17h; já os horários do tour guiado diferem, apresentando-se disponíveis de terça-feira a domingo, às 11h e 14h.
Bilhetes: tour guiado à venda na Fever com bilhetes a 30 € para jovens (15-24) e seniores (65-99), a 35 € para adultos e 19 € para crianças dos 0 aos 14 anos. Caso prefiras entrada simples, há outras opções na Fever: gratuitas para crianças menores de 13 anos; 12,32 € para jovens e seniores; e 16,80 € para adultos. Os bilhetes também podem ser comprados noutras plataformas online e no site oficial da Torre Belém (convém consultar os preços praticados noutras bilheteiras).
Não fiques a ver navios! Segue-nos no Facebook, no Instagram e agora também no WhatsApp!