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5 curiosidades sobre a Praça Marquês de Pombal

By Inês Santos Setembro 11, 2019

Chamamos-lhe Marquês mas o seu nome completo é Praça Marquês de Pombal e é, sem dúvida, a rotunda mais movimentada da cidade (e do país).

Embora seja um importante centro socioeconómico da Lisboa moderna, a sua história esconde histórias de outros tempos que merecem ser desvendadas.

1 – A Praça Marquês de Pombal

Foi em 1882 que a Praça Marquês de Pombal ganhou o seu nome atual mas há muitos lisboetas que ainda lhe chamam “Rotunda”. A culpa desta “alcunha” deveu-se também à estação do Metropolitano de Lisboa que aqui existiu entre 1959 e 1998 e que tinha, precisamente, esse nome.

O nome da praça é uma homenagem a Sebastião José de Carvalho e Melo, o Marquês de Pombal, que foi o empreendedor e estadista que dinamizou a reconstrução de Lisboa após o terramoto de 1755. A homenagem toponímica foi firmada na data do centenário do seu falecimento, a 6 de maio de 1882.

Foto: Kurt Pinto [1953] | AML

2 – Palacete Seixas

Em 1957, o arquiteto Carlos Ramos concebeu um plano que pretendia uniformizar todas as fachadas da Praça Marquês de Pombal. Datam desta proposta edifícios como o Hotel Florida ou o Hotel Fénix. Porém, houve um palacete que resistiu a esta restruturação e que se mantém, atualmente, no seu formato original: o Palacete Seixas, edificado há mais de 100 anos e que alberga, desde 1997, a sede do Instituto Camões. É, por isso, o único edifício centenário da praça.

O Palacete Seixas foi construído no início do século XX num estilo romântico de inspiração francesa, muito popular no final do século XIX. Em 1900, era a Dona Carmen Graziella Castilha da Rocha a proprietária do espaço, com frentes para a Avenida da Liberdade, Praça Marquês de Pombal e Rua Rodrigues Sampaio. Em 1908, o edifício foi adquirido pelo industrial Carlos Seixas e é, por isso, há 111 anos que o Palacete Seixas é reconhecido por esse nome.

Em 1989, foi classificado como edifício de valor nacional pela Secretaria de Estado da Cultura e em 1997 passou a ser propriedade do Ministério dos Negócios Estrangeiros, servindo de casa ao Instituto Camões desde aí.

Foto: Paulo Guedes [19-] | AML (Palacete Seixas à direita)

3 – Estátua do Marquês de Pombal

O monumento em homenagem ao Marquês de Pombal teve início numa subscrição pública, realizada em 1882 durante o reinado de D. Luís. Porém, a instabilidade política da época, com o fim da monarquia, atrasou o processo de construção e só em 1913 é que foi lançado o concurso público para a edificação da estátua. A primeira pedra desta nova edificação foi assente a 12 de agosto de 1917, numa cerimónia dinamizada pelo Presidente Bernardino Machado.

Foto: Joshua Benoliel [1917] | AML
Porém, houve nova demora, e as obras só foram retomadas a 13 de maio de 1926. A edificação acabaria por demorar oito anos, e só em 1934 é que o monumento foi concluído. A inauguração oficial ocorreu no dia 13 de Maio de 1934, numa cerimónia que contou com a presença do Ministro das Obras Públicas, Duarte Pacheco. O dia escolhido não foi aleatório: a data de nascimento do Marquês de Pombal foi 13 de maio de 1699.

José Pedro Pinheiro Corrêa [1934] | AML
O monumento é da autoria dos escultores Francisco Santos, Simões de Almeida (sob.) e Leopoldo de Almeida, com projeto dos arquitetos Adães Bermudes e António Couto. Nela podemos ver a figura do Marquês ladeado por um leão, em bronze, assente sobre um pedestal que tem perto de 40 metros de altura. O leão foi o animal escolhido por ser sinónimo de serenidade, poder e força.

O pedestal é feito em pedra trabalhada e ostenta, na parte superior, quatro medalhões que evocam os principais colaboradores do Marquês: Manuel da Maia, Eugénio dos Santos, Machado de Castro e D. Luís da Cunha. Na parte inferior do monumento encontramos diversas figuras alegóricas: a figura feminina representa a Lisboa edificada; a estátua de Minerva simboliza a reforma no ensino; o operário que sopra o vidro revela a reforma na indústria; há ainda várias outras estátuas que fazem jus às outras proezas e atividades realizadas por Sebastião José de Carvalho e Melo.

Foto: Salvador de Almeida Fernandes [1958] | AML

4 – Implantação da República

Em outubro de 1910, a Praça Marquês de Pombal recebeu, durante dois dias, barricadas que simbolizavam a revolta republicana. Concentraram-se nesta zona centenas de civis e militares revoltosos comandados pelo militar Machado Santos que seria posteriormente indicado como um dos heróis do 5 de outubro.

As barricadas foram construídas com os objetos disponíveis: bancos de jardim, chapas de zinco ou ramos de árvores figuravam entre os materiais utilizados. Atrás da barricada, populares e militares unidos na Rotunda pela queda da monarquia e pela implantação da República em Portugal. Esta insubordinação militar e civil que teve na atual Praça do Marquês de Pombal um grande foco de resistência viria a revelar-se bem sucedida: na manhã do dia 05 de outubro de 1910, na varanda da Câmara Municipal de Lisboa, o republicano José Relvas gritou “Viva a República”!

Foto: António Novais [1910] | AML

5 – IV Centenário da Descoberta da Índia

Muito antes de se celebrarem no Marquês as vitórias futebolísticas, já aqui eram festejados outros feitos. Um exemplo perfeito dessas celebração ocorreu em 1898, por ocasião do IV Centenário da Descoberta da Índia.

Na zona foi instalada uma Feira Franca, que funciona como um “parque de diversões” gigante com várias atividades para entreter os transeuntes. A Feira foi pensada pelo arquiteto da Câmara Municipal de Lisboa, José Luís Monteiro, e adquiriu um formato hexagonal. No espaço, destacavam-se um grande coreto com o formato da esfera armilar e um espaço teatral em forma de elefante. Foi um sucesso estrondoso e foi, talvez, o primeiro grande ajuntamento populacional a acontecer na Praça!

Foto: restosdecoleccao.blogspot.com

Foto de capa: Arquivo Municipal de Lisboa