Há jardins em Lisboa que só se descobrem por acaso, e este está guardado atrás dos muros de um colégio. No Paço do Lumiar, a Quinta dos Azulejos esconde um jardim do século XVIII onde o azulejo cobre praticamente tudo, das fontes aos bancos e às colunas. Classificado como Imóvel de Interesse Público desde 1962 (na parte em que existem espécies cerâmicas do século XVIII), o jardim da quinta acolhe o Colégio Manuel Bernardes desde 1935.
Um jardim onde (quase) tudo é azulejo
O que se vê lá dentro
Quem passa à porta não adivinha o que está do outro lado. Há azulejo nos encostos dos bancos, nas colunas e nos respetivos capitéis, nos alegretes, nas galerias e até na pérgula — a Associação Portuguesa dos Jardins Históricos (AJH) descreve-o como a revestir todos os elementos do patamar principal do jardim.
Nos painéis cabe um pouco de tudo: cenas de caça, festas e galanteios, episódios religiosos e momentos do quotidiano doméstico. Em alguns bancos, as figuras do centro inspiram-se, segundo o Património Cultural, em obras do pintor francês Watteau. A quinta aparece ainda registada como Quinta dos Embrechados — o nome de uma técnica decorativa que reveste superfícies com conchas, pedras e fragmentos de cerâmica.
Da quinta de recreio ao colégio
A casa terá sido erguida no século XVII e foi um ourives da Casa Real, António Colaço Torres, quem a mandou reconstruir no século seguinte. Entre os séculos XVIII e XIX, a propriedade conheceu vários donos e alternou entre períodos de abandono e de recuperação, até que, em 1935, o padre Augusto Gomes Pinheiro ali instalou o Colégio Manuel Bernardes. Para a AJH, foi esse novo uso que permitiu que os azulejos chegassem até aos nossos dias.
É possível visitar?
O jardim pertence a um colégio privado, que não publica horários nem regras de visita no seu site. Ao longo dos anos, o espaço já abriu as portas ao público em iniciativas pontuais, como os Jardins Abertos, em 2019. Para uma visita fora desses momentos, o melhor é contactar o colégio com antecedência — e não aparecer à porta sem marcação, já que se trata de uma escola em funcionamento.
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