Passear por Belém é sempre uma boa ideia, mas sabias que o número 136 da Avenida da Índia esconde “uma coleção única no mundo de viaturas de gala e de passeio dos séculos XVI a XIX“, tal como descreve o site Museus e Monumentos de Portugal? Instalado num moderno edifício de betão suspenso, o Museu Nacional dos Coches alberga um acervo verdadeiramente impressionante.
Se achas que ver de perto carruagens antigas é sinónimo de monotonia e de pó, desengana-te. Desde exemplares de ostentação extrema em talha dourada até ao primeiro automóvel que chegou a Portugal, sem esquecer o ‘testemunho’ de um assassinato que mudou para sempre o rumo do país, entrar no Museu Nacional dos Coches é como mergulhar numa viagem imersiva pelo tempo. E a melhor parte? Podes percorrer o museu ao teu próprio ritmo com a ajuda de um audioguia no teu telemóvel (Android e iOS, sem auscultadores incluídos).
Museu Nacional dos Coches: E-ticket com Audio Tour no seu telemóvel
12 Agosto 2026 10:00 + mais datas disponíveis
De património real a tesouro nacional
Para contar a história do Museu Nacional dos Coches, é preciso recuar até 1905, altura em que foi inaugurado por iniciativa da rainha D. Amélia (esposa do penúltimo rei de Portugal, D. Carlos I). Naquela época, o objetivo da monarca consorte passava por salvaguardar o acervo dos coches pertencentes à família real, preservando a sua memória ante a ‘ameaça’ dos avanços tecnológicos, como a introdução dos automóveis. O lugar escolhido para evitar que os testemunhos de um estilo de vida em extinção se perdessem para sempre foi o antigo Picadeiro Real, que ainda hoje se encontra sob a alçada do Museu Nacional dos Coches.
Com a queda da monarquia portuguesa, a coleção do museu aumentou com a introdução de novos coches da extinta Casa Real, viaturas provenientes dos bens da Igreja e alguns exemplares oriundos de coleções privadas. Dos veículos de tração animal ao primeiro automóvel que chegou a Portugal, naquele que é um dos museus mais visitados de Lisboa, é possível acompanhar de perto a evolução técnica e artística das diferentes viaturas. Contudo, o acervo não se limita apenas aos veículos propriamente ditos, albergando arreios de cavalaria, fardamentos de gala e de serviço aos coches, acessórios de cortejo setecentista e mais.
O talento de um Prémio Pritzker
Atualmente, o Museu Nacional dos Coches é constituído por dois espaços complementares em Belém: o lugar onde antes se situavam as antigas Oficinas Gerais do Exército e o antigo Picadeiro Real, que deixou de ser suficiente para atender às necessidades expositivas do museu. Assim sendo, em 2015 — 110 anos após a sua criação — o museu ganhou uma nova morada.
Com projeto assinado pelo arquiteto Paulo Mendes da Rocha, vencedor de um Prémio Pritzker (uma espécie de ‘óscares’ da arquitetura), num consórcio com o arquiteto português Ricardo Bak Gordon e o engenheiro Rui Furtado, o novo edifício destaca-se pelo pavimento contínuo em betão e as paredes brancas ocasionalmente interrompidas por vãos ou vitrinas. Além disso, o projeto foi desenhado para ser muito mais do que um museu, criado para integrar e envolver o espaço público através de uma grande praça interior de livre acesso.
As estrelas da companhia
Segundo o site Monumentos e Museus em Portugal, só em 2025, o Museu Nacional dos Coches e Picadeiro Real acolheu 193,614 visitantes, fazendo deste um dos espaços museológicos mais visitados na capital portuguesa. E, de facto, não faltam motivos para mergulhar nesta viagem pelo tempo. Mesmo assim, decidimos destacar algumas joias da coroa:
- Coche de D. Filipe II de Portugal (D. Filipe III de Espanha) – o veículo de tração animal mais antigo da coleção, datado de finais do século XVI ou inícios do século XVII. Trata-se de uma simples caixa de madeira forrada a couro, ainda sem qualquer sistema de suspensão, responsável por trazer o monarca de Madrid a Lisboa, numa viagem superior a 60 dias.
- Símbolos de ostentação e do Barroco – os coches que levaram a embaixada portuguesa a Roma, no século XVIII, para um encontro com o Papa Clemente XI, são verdadeiros símbolos de ostentação. O Coche dos Oceanos é o mais famoso do conjunto, sendo considerado uma verdadeira obra-prima coberta de talha dourada e estátuas em tamanho real que representam a união entre os oceanos Atlântico e Índico
- Landáu do Regicídio – a queda da monarquia em Portugal está inevitavelmente ligada ao regicídio de 1908, que vitimou mortalmente o rei D. Carlos I e o príncipe herdeiro D. Luís Filipe, no Terreiro do Paço. E este não é um veículo qualquer, pois é onde as duas figuras mais proeminentes da família real portuguesa seguiam quando foram assassinadas.
Informações úteis
Morada: Avenida da Índia, 136
Horários: de terça a domingo, das 10h às 18h
Bilhete: normal a partir de 15€, mas podes consultar o site oficial para consultar todas as possibilidades existentes
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