A cerca de 1h40 de carro de Lisboa, o Mosteiro da Batalha tem de novo um dos seus espaços mais famosos livre de obras. As Capelas Imperfeitas, o panteão que ficou para sempre sem telhado, terminaram um ano de conservação e restauro, e quem visita o monumento, classificado como Património Mundial da UNESCO desde 1983, pode voltar a percorrê-las sem obras pelo meio.
Um ano de obras nas Capelas Imperfeitas
A SAPO avança que, segundo a Museus e Monumentos de Portugal, os trabalhos decorreram entre agosto de 2025 e agosto de 2026 e custaram cerca de 885 mil euros, financiados pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR). O foco esteve na pedra, da própria estrutura às juntas entre os blocos e aos pormenores esculpidos que decoram as capelas. O fim das obras foi assinalado com um concerto de entrada livre nas próprias capelas.

Não foi a única intervenção recente. Segundo o Diário de Leiria, o mosteiro recebeu nos últimos dois anos três empreitadas do PRR, num total de 1,875 milhões de euros, que incluíram também a cobertura da Sala do Capítulo e os vitrais do século XVI.
A história do Mosteiro da Batalha
Uma promessa ligada a Aljubarrota
O nome oficial é Mosteiro de Santa Maria da Vitória, e a vitória em causa é a de Aljubarrota, a 14 de agosto de 1385. Segundo a tradição, D. João I terá feito um voto à Virgem e, depois de derrotar as tropas castelhanas, cumpriu-o com um mosteiro, erguido a cerca de dois quilómetros do campo de batalha. As obras arrancaram em 1388. O rei entregou-o depois aos frades dominicanos, que lá ficaram até à extinção das ordens religiosas, em 1834.
Mais de 150 anos de estaleiro
A construção durou mais de século e meio e passou por várias mãos, o que explica a mistura de estilos. O primeiro mestre foi Afonso Domingues; seguiu-se Huguet, com quem chegou o gótico flamejante; e, já no início do século XVI, Mateus Fernandes deixou a marca do manuelino. Além da igreja e dos claustros, o mosteiro guarda dois panteões reais pensados para a família de Avis: a Capela do Fundador e as Capelas Imperfeitas.
As capelas que nunca tiveram teto

As Capelas Imperfeitas começaram a ser construídas por volta de 1434, mandadas erguer por D. Duarte, filho de D. João I, que as queria como panteão. Os trabalhos prolongaram-se por várias gerações de reis e deixaram-lhes um portal manuelino de Mateus Fernandes, mas nunca chegaram ao fim: a planta octogonal continua sem teto, e é o céu que faz de abóbada — um dos detalhes que mais surpreendem quem as visita.
Informações úteis
Morada: Largo Infante D. Henrique, Batalha
Horários: de 1 de abril a 15 de outubro, das 9h00 às 18h30 (última entrada às 18h00); de 16 de outubro a 31 de março, das 9h00 às 18h00 (última entrada às 17h30)
Bilhetes: 15€ (bilhete normal), à venda na bilheteira online da Museus e Monumentos de Portugal
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