A incrível história do avião da Segunda Circular que acabou em bar de alterne

Convair 880 teve sete vidas, antes de ser desmantelado em 2008

Já lá vão 11 anos desde que a Segunda Circular deixou de ter um avião estacionado na berma. Talvez ainda te lembres dele, mas provavelmente não sabes metade das histórias que escondeu até ser desmantelado. Nós fomos à procura dos ficheiros da época e agora contamos-te tudo.

Dos milhares de aviões que já aterraram em Lisboa, nenhum deve ter tido uma história tão incrível e rocambolesca como o Convair 880 que durante anos fez parte da paisagem da Segunda Circular, em Lisboa.

Esse facto já seria caricato por si só, mas o aparelho guardava muitas mais curiosidades e segredos que, provavelmente, dariam um bom filme, talvez ao estilo de James Bond.

Desde logo, porque aquele modelo era uma autêntica raridade. Construído por Howard Hughes (a personagem do filme “O Aviador”, de Scorsese) era bastante rápido e luxoso, mas gastava muito combustível, por isso teve pouco sucesso comercial e deixou de ser produzido em 1962.

Mesmo assim, seduziu alguns famosos, com destaque para Elvis Presley, que comprou um semelhante e chamou-lhe “Lisa Marie”, o nome da filha.

Aliás, quando o Convair de Lisboa foi desmantelado, em 2008, só existiam oito iguais em todo o Mundo e um deles era, precisamente, o do Rei do Rock.

Mas esse é apenas um detalhe sobre o jato comercial que chamava a atenção de todos os que passavam pela Segunda Circular, na zona das Portela.

Rezam as histórias da época que o aparelho estava envolvido em negócios pouco claros, como contou na época ao jornal Público Mário Lino Silva, engenheiro aeroespacial do Instituto Superior Técnico de Lisboa: “O avião fazia tráfico de armas e teve uma avaria técnica, tendo por isso parado no aeroporto da Portela. Os pilotos esperaram uma semana, mas não receberam a peça que precisavam e foram embora, abandonando o avião”.

Depois destes episódios, em 1980, o Convair acabou ao abandono, até que a administração do Aeroporto de Lisboa decidiu leiloá-lo. Este foi, então, arrematado por um empresário da noite que o levou para um terreno adjacente à Segunda Circular. Mas como chegou até lá? Mandou-se fechar a estrada, só para o avião passar!

Foto de Foto de André Mendes

Já com uma nova vida, começou por ser um bar/discoteca – “O Avião” – e depois foi transformado em restaurante que, diga-se de passagem, até teve algum sucesso inicial. Afinal de contas, não era todos os dias que os lisboetas podiam jantar num avião a sério.

Mas o fator novidade acabou por passar rapidamente e o aparelho foi transformado em clube de striptease e bar de alterne.

Em dezembro de 2007, o dono foi assassinado, depois de uma bomba ter explodido no automóvel onde viajava. Alguns meses depois, em abril de 2008, o aparelho acabaria desmantelado e as peças vendidas para serem recicladas. Triste final, mas um jato com tantas história para contar.

A partir dessa altura, aviões mesmo só do outro lado da Segunda Circular, dentro do aeroporto.

Foto: www.jornaldosclassicos.com

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