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Made in L

Entretenimento do século passado que ainda encontras em Lisboa, como os videoclubes

By Valter Leandro

Até aos anos 90, a melhor forma de entretenimento era a nossa imaginação! Hoje tudo é imediato, mas ainda existem resquícios do século passado.📼

A tecnologia “quase” fez extinguir alguns dos negócios que fazem parte do nosso imaginário, para quem nasceu entre as décadas de 70 e 90, claro!

E uso a expressão “quase” porque ainda existem, em Lisboa, espaços onde podes encontrar alguns locais de entretenimento do século passado, como videoclubes, por exemplo.

Mas existem mais e, por isso, hoje vou revelar-te onde podes marcar um encontro muito divertido com o passado.

@ben-neale

Estes não têm “rewind” possível

Se há entretenimento que recordo, ainda hoje, com muito saudosismo são os videoclubes, estabelecimentos onde quase todos os dias alugava um filme para ver durante a noite e entregar no dia seguinte.

E o bom que era, aos fins de semana, requisitar três filmes pelo pelo de dois, e só ter de os entregar no início da semana seguinte… com as cassetes VHS devidamente rebobinadas no aparelho em forma de automóvel que tinha lá em casa.

Rapidamente passámos do VHS para o DVD e, deste, para os filmes através da Internet (pirataria ou não). Hoje, já ninguém passa sem a sua subscrição mensal de um serviço de streaming como a Netflix, HBO, Amazon Prime Video e, mais recentemente, o Disney+, só para destacar os serviços disponíveis através das plataformas dos principais operadores de telecomunicações nacionais.

@mollie-sivaram

Se quiseres voltar ao passado, para um encontro nostálgico, mas sempre divertido com o formato mais antigo de Digital Versatile Disc, vulgar DVD, podes fazê-lo naquele que creio ser o último videoclube de Lisboa, o Cineteka, localizado em Marvila.

Aqui ainda podes alugar filmes, e algumas séries, de todos os géneros e épocas, no formato físico de DVD ou Blu-Ray. A grande novidade em relação aos típicos videoclubes é que também podes fazer o aluguer destes filmes sem sequer sair de casa, através de correio.

Se quiseres experimentar, basta fazeres o registo no site e escolher de entre os mais de 12.500 títulos, desde as últimas novidades até aos grandes clássicos e, claro, ao cinema de culto.

No Cineteka, além de poderes alugar filmes de forma individual, vais encontrar 10 planos de aluguer de filmes. Por exemplo, se optares pelo Plano Light 3 DVDs e faças seis trocas mensais vais gastar, por filme, 1.52€. Diz lá que não é uma pechincha?!

Morada: Rua Fernando Palha 50-52, Sala 230 – 2º piso (Marvila)

@lucas-pezeta

Os salões de jogos e as extra ball

Eu era doido pelos salões de jogos, de jogar nas velhinhas máquinas de arcade o Space Invaders e, claro, de passar tardes inteiras a tirar bolas extra nas máquinas de pinball (a da Star Wars era a minha preferida). Confesso que foram as melhores tardes da minha, então, tenra juventude.

Depois, a inovação encheu estas salas, cada vez maiores, com mesas de bilhar, de snooker e, claro, de matraquilhos. E aqui passei muitas horas, junto dos meus melhores amigos e dos primeiros namoros, a gastar moedas de 50 cêntimos, de 10 em 10 minutos, em troca de gargalhadas e muita diversão. 

Na verdade, era tão simples ser feliz, onde os jogos eram os meus créditos, a minha segunda vida e, quando perdia, Insert Coin para vidas extra.

@louie-castro-garcia

Depois passámos para as consolas de jogo caseiras e, mais recentemente, a novidade são os escape rooms, ao vivo ou daqueles para jogar no conforto do sofá. Confesso que não desgosto, mas onde está a ranhura para mais uma moeda de 50 cêntimos? Onde está o aviso de Insert Coin

Estes jogos, mais dinâmicos é certo, nunca me ofereceram a felicidade de outrora, mas reconheço a inovação de, num mundo tão tecnológico, passarmos da era dos pixéis para a arena mais real da vida, onde podemos aparecer em carne e osso.

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Para voltar ao passado, ou costumo inserir no meu computador um simulador de jogos dos anos 80 e 90, ou saio de casa e vou até à Fábrica 22, onde além de algumas máquinas do meu tempo (tem matraquilhos) ainda posso encontrar jogos mais modernos, como o Laser Tag.

Morada: Rua João Saraiva 22 (Alvalade) (temporariamente fechada devido à covid-19)

@fabrica22

Lojas de livros aos quadradinhos

Sempre fui um assíduo leitor de livros de banda desenhada, mas, confesso, era mais adepto dos quadradinhos do Tio Patinhas, do Pato Donald, do Mickey e do Pateta, e menos dos heróis da Marvel ou da DC Comics.

Por isso, numa nova viagem ao passado, por vezes dou por mim a folhear as páginas destes imaginários na Kingpin Books, a maior loja portuguesa de banda desenhada.

A Kingpin Books já abre portas há mais de 20 anos, assumindo também o papel de editora. Ocupa um espaço de mais de 200 metros quadrados desde abril de 2018 e aqui podes encontrar os autores mais notáveis da BD americana, japonesa e portuguesa, assim como figuras de ação, posters, T-shirts e outras peças de merchandising.

Morada: Avenida Almirante Reis 82 A (Anjos)

@kingpinbooks

Discos “perdidos”

Antigamente, a palavra discoteca tinha outro sentido: era o local onde se comprava música, e não um sítio onde se dançava. Assim, como quando queria ler um livro ia à biblioteca, quando queria saber que música nova estava na moda, ia a uma discoteca.

Adoro música e por isso era nestes espaços que antigamente passava horas intermináveis, a passar de um disco para o outro, quase sem ler o que vinha em cada capa, o que de novo estava a ser lançado no mundo da música.

Ao mesmo tempo que os vinis, em perfeita harmonia, coexistiam as cassetes, as estações de rádio e os grupos de amigos que se juntavam para ouvir o último álbum de Guns n’Roses, as últimas melodias de Freddie Mercury e os Queen.

@karsten-winegeart

Hoje, a música via streaming, com serviços como o Spotify (que legalizaram o Napster do meu tempo), tornou tudo mais individual, mais individualista. Mas ainda bem! Ficaria preocupado se os vinis e as cassetes desaparecessem para dar lugar a nada.

Assim, com as novas plataformas de streaming, a música continua a alimentar-nos a alma, continua a fazer-nos bem, pelo menos a mim, que absorvo cada acorde com uma paixão imensa.

Mas, de vez em quando, lá vou eu ao meu velhinho gira-discos (parece que a moda está a voltar em força), limpo a agulha e meto um disco a tocar, quase sempre comprado na Groovie Records, uma loja onde além de rock vais encontrar uma mão cheia de contatos para te trazer todos os discos made in Estrangeiro.

Morada: Rua Angelina Vidal 80A (Anjos)

@groovie_records

Foto de capa: @shutterstock