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Como seriam as casas dos nossos monarcas se eles vivessem em 2021? (Parte 2)

By Valter Leandro

Como seriam as casas dos nossos monarcas se eles vivessem em 2021? (Parte 2)

Estas seriam as vidas de quatro personalidades da nossa história (três reis e uma rainha), se elas vivessem nos nossos dias.🤴👸

Se todas as casas refletem a personalidade de quem lá vive, com os reis e as rainhas de antigamente certamente não terá sido muito diferente. Criada pelo Imovirtual, a série “Três Reis & Uma Rainha” faz-nos uma comparação não só entre a personalidade de quatro dos monarcas mais famosos e marcantes da história portuguesa como também onde seriam as suas moradias ou como teriam sido construídas as suas casas se vivessem nos dias de hoje.

O investigador e historiador João Ferreira, autor de vários livros sobre a monarquia portuguesa, ajudou-nos a entender os traços de personalidade de D. Maria II de D. Dinis, e a imaginar como e onde seriam as casas destes governantes. O Imovirtual fez o resto, numa série que inclui outros dois artigos, de dois monarcas marcantes da história de Portugal: D. Afonso Henriques e D. João V.

Por isso, nestas histórias, vais encontrar vários detalhes e objetos de decoração que representam um traço de personalidade, uma tara ou uma mania destes governantes.

Imagina que é um Big Brother da família real portuguesa em que eles não nos veem, mas nós estamos sempre a espreitar pelo buraco da fechadura. Vamos a isso?

Como seria a casa da menina brasileira que foi rainha de Portugal?

É difícil não colocar a maternidade no topo da história desta rainha, porque ela não foi “apenas” mãe. D. Maria II viveu e morreu pelos filhos, como a própria adivinhou no dia em que, avisada para o risco de tantos partos, disse. “Se morrer, morro no meu posto”. Assim foi.

A rainha teve o primeiro filho aos 18 anos e, até aos 34, passou por mais 11 partos. Uma vida de gravidezes. Ao todo, dos 12 bebés, sobreviveram sete. E no último, além do bebé, nem a própria Maria resistiu.

D. Maria II nasceu no Palácio de São Cristóvão, no coração do Rio de Janeiro, de onde jamais poderia imaginar que sairia para governar um país do outro lado do Atlântico. Tudo aconteceu muito rápido. Há quem diga até que os oito anos que a menina viveu no Rio foram os mais felizes da sua vida, uma infância rodeada de morros verdes e areias finas, que Maria nunca mais voltou a ver. Foram, pelo menos, os mais despreocupados, até que chegou à Baía da Guanabara a notícia da morte do avô, D. João VI, lá em Portugal, que lhe mudou irremediavelmente a vida.

Se pudesse, Maria teria feito como o pai, D. Pedro I do Brasil, que passou a infância em Portugal, andou pelas Américas, foi imperador brasileiro, e veio morrer no mesmo quarto em que tinha nascido, no Palácio de Queluz. Metade portuguesa, metade brasileira, D. Maria II teria feito o caminho contrário: nascida no Rio de Janeiro, governaria Portugal, até ter a missão cumprida para poder voltar à adorada e maravilhosa cidade, com a qual nunca perdeu a ligação, até porque o último imperador do Brasil foi o irmão, D. Pedro II.

E é por isso que, ao contrário do que parecem sugerir esses últimos anos de sofrimento, a vida de Maria da Glória no século XXI seria tudo menos infeliz, mas a de alguém com tempo de educar com primor sete filhos. Até porque, se fosse hoje, certamente essa tarefa seria partilhada com o marido Fernando.

Sediada no Rio de Janeiro, a mulher-gravidez teria condições suficientes, para, também ajudada pela medicina, dar à luz 12 filhos saudáveis, aproveitando os períodos de gestação para longos passeios à beira-mar.

Depois de um dos períodos mais violentos da história de Portugal, o que fica dos 19 anos do seu reinado é a pacificação do país, e o desenvolvimento que D. Maria II conseguiu em áreas políticas, económicas e, sobretudo, de educação, tanto cultural quanto espiritual (lembrando que a rainha ficou com o cognome de “A Educadora”).

Foi no seu tempo que o ensino primário se tornou gratuito, por exemplo. E foi o seu amor pelo teatro que fez história. No dia em que celebrava 27 anos, a rainha inaugurou o Teatro Nacional D. Maria II, até hoje um dos principais centros culturais do país. Fica no Rossio, em Lisboa, curiosamente na praça que leva o nome do seu pai. Se tu, assim como D.Maria II, tens amor pelo teatro e pela cultura, vê casas para comprar próximas ao Teatro Nacional.

Podes ler mais sobre a história de D. Maria II no blog do Imovirtual.

E onde e como viveria D. Dinis?

Ambientalista e culto, D. Dinis seria um hippie-chic do século 21, e assim que se ouve o nome deste monarca português, a primeira coisa que vem à cabeça é o Pinhal de Leiria. E pode estar aí um dos grandes mitos sobre a monarquia portuguesa, que o historiador João Ferreira tenta desmistificar:

O Pinhal de Leiria não foi mandado plantar por ele, já era muito antigo e fazia parte do tecido florestal português. A madeira era o combustível daquela época, servia para construir, para aquecer, para tudo. E é no tempo de D. Dinis que o Pinhal de Leiria substitui o pinheiro manso pelo pinheiro bravo, mais resistente, e mais próximo do que hoje conhecemos.”

Há, portanto, “um fundo de verdade nessa história”, da associação entre o Pinhal de Leiria e este rei. Se estás interessado em ver imóveis perto do pinhal de Leiria espreita aqui a oferta existente.

Ao tentar imaginar como seria a casa de D. Dinis no século XXI, falámos com o investigador João Ferreira, autor de obras como a “Histórias Rocambolescas da História de Portugal”, para uma série de quatro artigos, feita em parceria com o Imovirtual, que inclui outros dois monarcas: D. Afonso Henriques e D. João V.

Do reinado de D. Dinis não podemos subestimar uma das criações mais relevantes da história de Portugal: a Universidade de Coimbra, uma das mais antigas do mundo.

Isto mostra a importância que Dinis sempre deu à cultura, e foi “um sinal importante de que Portugal queria estar a par com os outros reinos cristãos da Europa”, como nota João Ferreira. Em 1290, quando a Universidade nasceu, ainda se chamava Estudo Geral, e tinha sede em Lisboa, onde hoje fica o Largo do Carmo, tornando-se assim contemporânea de universidades de enorme relevo, como a de Oxford, em Inglaterra, praticamente da mesma altura, ou a Sorbonne, em Paris, um pouco mais antiga.

Só passados 18 anos é que as instalações foram definitivamente mudadas para Coimbra. Mas a ligação entre D. Dinis e Coimbra é eterna. E é por isso que se ele tivesse nascido no século 20, seria hoje reitor da Universidade, um homem que cruzaria o amor pela agricultura com o amor pelas letras, pelos alunos, como prova de “alguém que sempre quis trazer os melhores para Portugal”, nas palavras do historiador João Ferreira.

E que melhor cidade para ele viver do que a cidade dos estudantes?

E o que mais fazia bater o coração de D. Dinis? “É um rei amigo do ambiente”, ri-se João Ferreira. Seria um António Guterres do século 21, alguém que, como o secretário-geral das Nações Unidas e ex-primeiro-ministro de Portugal, tem no discurso das alterações climáticas uma das suas principais bandeiras.

“É uma figura muito curiosa”, acrescenta ainda João Ferreira, porque combina um lado “muito culto” com esse lado mais próximo da terra e da agricultura. Desafiámos o historiador a colar um rótulo a D. Dinis e a resposta veio pronta. “Seria um hippie-chic culto.” A sua casa teria no jardim e no escritório-biblioteca os espaços mais nobres.

Além de ler, a secretária de Dinis tem espaço para escrever, espalhar e rascunhar. O rei deixou uma vasta obra, da qual fazem parte mais de 100 cantigas líricas e satíricas em galego-português (a variação que está na origem do português de hoje), num tempo em que o amor, o escárnio e o maldizer eram presença obrigatória na literatura. A mais conhecida fala, claro, de flores, que podes ler aqui.

Se quiseres saber mais sobre esta série, o conteúdo já está publicado no Blog do Imovirtual, separado pelos devidos capítulos.

Ilustrações por Imovirtual