O mercado imobiliário português está uma loucura, basta atentarmos nos dados recentes que mostram que 116% do salário dos cidadãos de Lisboa se destina para habitação — o valor mais elevado da União Europeia. E se falarmos dos preços de venda de alguns imóveis, os números podem ser ainda mais impactantes. Mas, e se disséssemos que há uma aldeia histórica beirã no mercado a um valor inferior a alguns apartamentos da capital?
No panorama atual, este cenário pode soar surrealista. Contudo, não só é verdade, como está disponível num leilão online. Até ao dia 5 de dezembro, a leiloeira Leilosoc Worldwide pretende vender a aldeia de Póvoa Dão, situada na freguesia de Silgueiros, no concelho de Viseu, a menos de 20 minutos de carro da cidade de Viriato. O objetivo é chegar ao valor de aproximadamente 1,7 milhões de euros.
“Uma oportunidade rara no mercado”

Citada pela SIC Notícias, uma nota de imprensa enviada à Lusa, detalha que este leilão online surge devido ao “processo executivo da Nacala Holdings S.A.R.L e Outros” (proprietária da aldeia). E o conjunto disponível não poderia ser mais surpreendente. Ao todo, a aldeia histórica conta uma área de cerca de 100 hectares.
Descrita pela Leilosoc como “uma oportunidade rara no mercado imobiliário português”, além do casario tradicional que mantém intacta a traça original beirã, Póvoa do Dão possui uma “capela, restaurante, estacionamento, zonas comuns e espaços exteriores ajardinados”.
De acordo com a leiloeira, trata-se de um lugar com potencial para um “eco-resort de luxo ou aldeamento turístico, empreendimento vinícola e enoturismo ou condomínio rural sustentável”. Além disso, é destacado o acesso direto ao rio Dão e a praias fluviais com vistas deslumbrantes, bem como o facto de pertencer a uma zona famosa pelos seus vinhos.
Uma aldeia histórica

Atualmente, Póvoa Dão anda nas bocas do mundo devido ao leilão, mas certo é que a sua história é muito anterior à era mediática. Consta que a sua origem remonta ao século XIII, tendo sido referenciada nas inquirições afonsinas de 1258.
Contudo, há um testemunho que dá conta de um passado mais longínquo: um caminho romano, que ligava Viseu a Tábua. Com o passar do tempo, a aldeia foi assumindo um papel importante no comércio da zona, mas a partir dos anos 60 começou a perder habitantes, em particular devido à emigração.
Projetos atribulados

Esta não é a primeira vez que Póvoa Dão foi notícia. Em 1995, a aldeia do concelho de Viseu foi mencionada nos principais órgãos de comunicação portugueses, visto que foi vendida por 80 mil contos (cerca de 400 mil euros). Na altura, viviam nesta terra beirã apenas quatro idosos.
Depois disso, a esperança renasceu em 2000, quando a aldeia voltou a ser notícia por mais de 30 casas (de tipologias de T0 a T3) terem sido colocadas à venda. Em 2010, Póvoa Dão voltou a ser recuperada pela Ramos Catarino (pertencente ao grupo proprietário). Mas o ruído dos turistas foi ‘sol de pouca dura’, num ápice voltaram a dominar os sussurros da natureza.
Agora, com este leilão da Leilosoc Worldwide a questão que se impõe é a seguinte: será que é desta que a aldeia histórica ganha uma nova (e duradoura) vida? Seja como for, entre o silêncio das montanhas e o murmurar da água a correr, Póvoa Dão permanecerá um refúgio beirão — de alma e coração!
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