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7 curiosidades sobre o Castelo de São Jorge

By Inês Santos Setembro 27, 2019

Não há dúvida de que o Castelo de São Jorge é um dos monumentos mais importantes e antigos da cidade já que as suas origens remontam ao século XI.

Conhecer a sua história é percorrer os vários séculos que Lisboa já viveu e há vários segredos e curiosidades sobre esta fortificação que tens de descobrir se queres ser especialista na História da capital. Tudo a postos?

1 – O Castelo tem “apenas” 80 anos

A história do Castelo começa nos séculos VII e II A.C., já que os registos indicam que neste período existia já um aglomerado fixo na colina do Castelo. Durante o Império Romano, quando Lisboa era “Olissipo”, este alto da colina passou a chamar-se “Oppidum‟, expresão que designava a zona fortificada do castelo. Porém, foi somente no período muçulmano, entre o séc. VII e XI, que as muralhas foram efetivamente estruturadas – assim sendo, a primeira referência histórica ao Castelo é feita num documento do séc. XII da autoria do geógrafo árabe Edrici. Após a conquista de Lisboa por D. Afonso Henriques, a 25 de outubro de 1147, o Castelo de S. Jorge conheceu o seu período áureo enquanto espaço reservado ao rei e à corte, o que durou até ao início do século XVI.

Com o passar dos séculos, o Castelo sofreu bastantes intervenções e alterações, destacando-se os efeitos do terramoto de 1530 que destruiu parte da estrutura. A partir do séc. XVI o rei e a corte abandonaram o Castelo, para assentar arraiais no Paço da Ribeira, no Terreiro do Paço. A partir daí, o Castelo assumiu uma função militar que durou até ao final do século XIX – pelo meio, o terramoto de 1755 que deixou em ruínas a zona do Castelo, uma degradação crescente do espaço e a inoperância total das estruturas militares.

Foto: Castelo de São Jorge, torre de Ulisses e instalações militares | Eduardo Portugal [ant. 1939) | Arquivo Municipal de Lisboa
Foto: Eduardo Portugal [1939] | Arquivo Municipal de Lisboa
No início do séc. XX, o Castelo estava mal tratado, meio em ruínas, meio desocupado, e desconsiderado pelos lisboetas. Durante o Estado Novo, Salazar decidiu traçar um plano de reconstrução de monumentos nacionais com vista à glorificação dos feitos da Nação, no âmbito da comemoração dos oito séculos da fundação de Portugal. Assim, entre 1938 e 1940, o Castelo de São Jorge sofreu profundas obras de requalificação a partir das fundações da fortaleza original. Foram acrescentadas ameias e torres ao monumento, que lhe conferiram o aspeto imponente que desde aí possui. Portanto, quem hoje visita o Castelo visita uma obra da época medieval no que diz respeito à estrutura e à aparência: porém, a fortificação tem, na verdade, uns escassos 80 anos.

Foto: Domingos Alvão [ant. 1946] | Arquivo Municipal de Lisboa

2 – Câmara Obscura

Dentro do Castelo de São Jorge existe uma câmara obscura, um sistema ótico de lentes e espelhos que permite observar em tempo real e a 360 graus a cidade. Daqui consegue observar-se os monumentos, as zonas nobres da capital, o rio e até o trânsito na Ponte 25 de Abril! Este periscópio funciona no topo da Torre Ulisses e o seu funcionamento está sujeito às condições atmosféricas.

Foto: @castelodesaojorge.pt

3 – São Jorge

Tantas vezes dissemos “Castelo de São Jorge” mas raramente questionámos o porquê de o castelo lisboeta ter o nome de São Jorge. Até ao séc. XIV, o Castelo de São Jorge chamava-se Castelo de Lisboa. Foi nesta altura que o Rei D. João I resolveu mudar-lhe o nome, visto que o castelo, nesta altura, era Paço Real e merecia um nome à altura. São Jorge foi o santo escolhido já que o monarca fundador da Ordem de Avis, aquando da Batalha de Aljubarrota e da luta contra o Reino de Castela, invocava aquele santo, demonstrando grande devoção à sua figura. Em 1387, São Jorge tinha também sido eleito Santo Patrono de Portugal. É também considerado o santo guerreiro, padroeiro dos cavaleiros e dos militares.

4 – Jardim de Espécies Autóctones Portuguesas

Atualmente, o jardim do Castelo de São Jorge é o único espaço verde da capital onde podes encontrar as principais espécies autóctones da floresta portuguesa: sobreiros, zambujeiros, alfarrobeiras, medronheiros, pinheiros-mansos e algumas árvores de fruto. A curadoria das árvores deste jardim honram a memória da antiga horta do Paço Real da Alcáçova, nome dado à antiga residência real medieval que ficou destruída após o terramoto de 1755 e onde chegou a viver D. Afonso Henriques.

@olhares.sapo.pt

5 – Recorde de visitas

Segundo dados divulgados em abril de 2019, o Castelo de São Jorge foi o monumento mais visitado em Portugal em 2018. No total, foram 2.021.242 entradas! Segundo dados da EGEAC, são os estrangeiros os que mais visitam o espaço, já que 95% das entradas foram de cidadãos não portugueses.

@castelodesaojorge.pt

6 – Estátua de D. Afonso Henriques

Quem entra no Castelo, dá logo de caras com uma estátua em bronze de D. Afonso Henriques. Embora possa ter aparência de ser bastante antiga, esta estátua data de 1947 e é uma réplica da original, executada por Soares dos Reis em 1887 e que está atualmente em Guimarães, em frente do Paço dos Duques. Foi oferecida pela cidade do Porto a Lisboa para ser inaugurada a 25 de outubro de 1947, no âmbito da comemoração do VIII Centenário da conquista desta cidade.

Foto: Comemorações do VIII Centenário da Tomada de Lisboa aos Mouros | Claudino Madeira [1947] | Arquivo Municipal de Lisboa

7 – Prémio de Arquitetura

Em 2010, o arquiteto Carrilho da Graça e o arquiteto paisagista João Gomes da Silva desenvolveram um projeto de arquitetura para o núcleo arqueológico da Praça Nova do Castelo de São Jorge. O mote era proteger e destacar o sítio arqueológico, que contém vestígios dos sucessivos períodos de ocupação desta colina lisboeta — povoamentos da Idade do Ferro (do século VII A.C ao século III A.C.), habitações muçulmanas medievais e um palácio do século XV, pertencente aos Condes de Santiago.

@FG+SG

Em 2018, a obra foi distinguida com o Piranesi Prix de Rome 2010 devido a “uma grande clareza na qualidade da solução adoptada, tanto na relação física entre arquitectura e arqueologia, bem como na relação entre intervenção volumétrica e paisagem”.

@olharquitectura-2.blogspot.com

Foto de capa: Paulo Guedes [19–] | Arquivo Municipal de Lisboa