O que acontece quando duas grandes vozes ibéricas se juntam? O resultado é digno de “Memória”, assim se chama a faixa que a lisboeta Carminho partilha com Rosalía no “Lux”, o mais recente álbum da catalã. O quarto trabalho de originais da artista espanhola está nas bocas do mundo (e da crítica), destacando-se por incluir a nostalgia do fado, a língua portuguesa e muito mais.
Apesar de só ter sido lançado no passado dia 7 de novembro, as redes sociais andam ‘loucas’ com “Lux”; e nós quisemos perceber qual o motivo. Depois de ouvir múltiplas vezes o disco no Spotify, acabamos por juntar-nos às mais de 42 milhões de reproduções que o álbum somou em apenas 24 horas. Um número que por si só revela um recorde: “Lux” tornou-se no disco mais ouvido num só dia na plataforma digital por uma artista de língua espanhola.
Com “Lux”, Rosalía, de 33 anos, não só ultrapassou o badalado recorde de Karol G. com “Mañana Será Bonito (Bichota Season)”, como reforça a sua capacidade de inovação artística. Afinal, das sonoridades flamencas de “El Mal Querer” (2018) à presença de reggaeton em “Motomami” (2022), Rosalía continua a reinventar-se, como se de um camaleão se tratasse.
Quando duas grandes vozes se juntam
Em “Lux” multiplicam-se as colaborações de luxo, como Björk, Estrella Morente (diva do flamenco) e, claro, a ‘nossa’ Carminho, entre muitas outras. Sobre esta parceria ibérica de sucesso, a fadista portuguesa de 41 anos, explicou em entrevista ao programa “As Três da Manhã, da Rádio Renascença”:
Ofereci-lhe uma canção para ela cantar no meu disco. Convidei-a para cantar, e ela quis ficar com a canção para o disco dela.”
“Memória” apela às raízes do fado mais puro, sendo cantada por Carminho e Rosalía, maioritariamente em português, mas com espaço para uns versos em espanhol. Um trabalho gravado em três paragens diferentes: Estados Unidos da América, Reino Unido e Espanha. Para além de Carminho, a canção conta com a participação da Orquestra Sinfónica de Londres e o Coro de Cambra del Palau de La Música.
Carminho e o seu sucesso além-fronteiras
Na música portuguesa, a voz de Carminho dispensa apresentações, sobressaindo frequentemente como um dos talentos mais evidentes do fado, reinventando este estilo musical com outros géneros.
Para além da recente colaboração com Rosalía, no seu currículo destacam-se trabalhos com Pablo Alborán e Chico Buarque, assim como uma presença no famoso filme de Hollywood “Pobres Criaturas” (de Yorgos Lanthimos).
Da espiritualidade ao misticismo de “Lux”
Retomando a narrativa sobre “Lux”, caso ainda não tenhas ouvido nenhuma canção, prepara-te pois assemelha-se pouco (ou quase nada) a outros trabalhos de Rosalía que se tornaram virais. Durante cerca de uma hora, a artista catalã apresentou uma viagem entre o espiritual e o profano, quase digna de uma ópera.
O pontapé de saída para este ambiente foi dado por “Berghain”, onde a espanhola se apresentou ao mundo como nunca, numa verdadeira obra de arte que conta com o talento inconfundível de Björk e Yves Tumor.
A espiritualidade foi algo que me acompanhou desde pequena e sinto-me muito grata por ter podido gravar um álbum como este, em que a inspiração é o misticismo e a espiritualidade”, declarou Rosalía, numa entrevista citada numa reportagem da RTP 1.
Seja no flamenco, no pop, ou no reggaeton, Rosalía está longe de se agarrar a uma só versão de si mesma. Com “Lux”, ela explora as suas diversas facetas e influências musicais, entregando um trabalho de pura luz. Se ficaste com curiosidade, resta mergulhar nesta viagem que está a marcar o pop global, com um toque especial de Lisboa.
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