Lisboa conquistou o terceiro lugar na lista das 20 cidades mais habitáveis do mundo, de acordo com o Inquérito de Qualidade de Vida 2026 da revista britânica Monocle, divulgado a 25 de junho. Este ano, o inquérito teve um foco especial em cidades com ambição urbana que também sejam divertidas de viver.
O top 20

1. Tóquio
2. Copenhaga
3. Lisboa4. Viena
5. Sidney
6. Zurique
7. Madrid
8. Paris
9. Munique
10. Oslo
11. Estocolmo
12. Milão
13. Barcelona
14. Singapura
15. Amesterdão
16. Helsínquia
17. Seul
18. Melbourne
19. Vancouver
20. Quioto / Perth (empatadas)
Por que motivo Lisboa subiu ao pódio?
A Monocle aponta três eixos principais:
Governação e infraestrutura: a subida de Lisboa é atribuída a cerca de uma década de boa governação, visível no investimento contínuo em transportes (metro, elétricos, barcos fluviais), na primeira linha de elétrico nova em quase 70 anos e no crescimento de 500% nas viagens de bicicleta entre 2011 e 2021.
Identidade e comércio de bairro: a publicação destaca a vida de bairro genuína — mercados de produtores, quiosques, lojas históricas protegidas pelo programa “Lojas com História” — reforçada por uma cena cultural mais internacional, com o novo CAM na Gulbenkian e a feira Arco.
Segurança, mas com avisos: Lisboa continua entre as cidades mais seguras do mundo, mas a Monocle alerta para o risco de se tornar vítima do seu próprio sucesso, citando a pressão de novos residentes sobre os serviços, o acidente do funicular e o apagão nacional do ano passado como testes à resiliência da cidade.
A habitação é apontada como o principal ponto fraco, com o aviso de que Lisboa arrisca tornar-se duas cidades numa só: uma para locais, outra para expatriados.
Lisboa em números (dados da Monocle)

População: 550 mil habitantes (3 milhões na área metropolitana)
Horas de sol por ano: 2.806
Espaço verde urbano: 25%
Quota modal de bicicleta: 1,9%
Custo do passe mensal: €40,50
Destinos internacionais servidos pelo aeroporto: 144
Crescimento das viagens de bicicleta (2011–2021): +500%
A Monocle sugere adotar: travessias adequadas sobre o Tejo, com ferries e barcos eficientes, elétricos e frequentes. E sugere abandonar: os tuk-tuks, que perturbam o trânsito, bloqueiam elétricos cheios de passageiros e acrescentam poluição visual e sonora.
Os destaques do inquérito
13 das 20 cidades no top 20 são europeias — a região domina claramente a lista. Vancouver é a única cidade das Américas a entrar na lista.
A Austrália coloca três cidades no top 20 (Sidney, Melbourne e Perth) — mais do que qualquer outro país.
“Surpresa escandinava”: Oslo termina à frente de Estocolmo.
Nova Iorque, Cidade do México e Los Angeles ficaram de fora devido às suas taxas de criminalidade elevadas; Londres também não entrou na lista.
Apesar de mostrarem ambição, como as piscinas públicas da Cidade do Cabo ou as ruas impecáveis do Kigali, África e o Médio Oriente ainda não oferecem a segurança dos mercados mais maduros da Europa e da Ásia, segundo a revista.
Como é feito o inquérito?

O inquérito nasceu há 19 anos por a Monocle considerar estranho que os rankings existentes se baseassem sobretudo em taxas fiscais, PIB e custo de vida, ignorando cultura, retalho, hotelaria e arquitetura. Resultou daí um questionário de 30 perguntas enviado a correspondentes de confiança em 40 cidades. Hoje em dia, continua a avaliar segurança, conectividade, governação e espaço verde, mas também se é possível arranjar uma refeição e uma bebida decentes depois das 22h.
Para 2026, a Monocle deu especial atenção a entusiasmo, ambição e segurança, complementando a análise com dados adicionais da consultora imobiliária Knight Frank e do Copenhagenize Index 2025, da EIT Edition (que mede, entre outras coisas, a quota de deslocações feitas de bicicleta).
Segundo a ONU, citada pela revista, quatro em cada cinco pessoas no mundo já vivem em áreas urbanas e o objetivo do inquérito é afastar o debate sobre habitabilidade de uma discussão política árida, tornando-a numa conversa mais genuína sobre o que move as pessoas em direção a certos lugares.
Sobre a Monocle
Lançada em 2007, a Monocle é uma marca de media global que inclui revista, rádio e uma vertente editorial, fundada por Tyler Brûlé e liderada por Andrew Tuck. É publicada 10 vezes por ano a partir da sede em Zurique e da base editorial em Londres (Midori House), vende mais de 80 mil exemplares por edição e conta com uma rede de correspondentes em 38 cidades no mundo.
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