Na Baixa de Lisboa, no n.º 42 da Rua da Assunção, funcionava a firma Félix, Valladas & Freitas. É nesta morada que começa a história de Fernando Pessoa e Ofélia Queiroz: conheceram-se ali a 8 de outubro de 1919. Ela tinha acabado de chegar à empresa e, tanto quanto se sabe, foi a única namorada que o poeta teve, como sublinha a Casa Fernando Pessoa.
O escritório da Rua da Assunção
Pessoa ganhava a vida a traduzir a correspondência comercial da empresa. Ofélia, nascida em 1900, tinha 19 anos e entrou para lá para trabalhar como secretária, a escrever à máquina no mesmo escritório, no 2.º andar do prédio.

Segundo o roteiro pessoano da Casa Fernando Pessoa, o namoro começou de forma discreta, no próprio escritório, com olhares e bilhetes trocados entre os dois. A primeira carta de Pessoa a Ofélia tem data de 1 de março de 1920.
Duas fases e uma carta assinada por Álvaro de Campos
A primeira fase da relação durou até 29 de novembro de 1920, quando Pessoa pôs fim ao namoro. Quase dez anos depois, em setembro de 1929, os dois voltaram a aproximar-se. Desta vez, houve até uma carta escrita a Ofélia em nome de Álvaro de Campos, um dos heterónimos do poeta, a que ela respondeu, dirigindo-se também a Campos.
A segunda fase foi curta: a última carta de Pessoa a Ofélia é de 11 de janeiro de 1930. Casamento é que nunca houve. Pessoa morreu em 1935 e Ofélia viveu até 1991. As cartas de amor de Pessoa, trinta e poucas da primeira fase e pouco mais de uma dúzia da segunda, segundo a ensaísta Leyla Perrone-Moisés, acabaram por ser publicadas em livro e continuam a ser reeditadas.
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