Doçaria conventual e regional, erotismo e religião, os ingredientes que tornam esta exposição temporária no Museu de Lisboa – Santo António numa das mais interessantes a que já fomos nos últimos tempos.
“Quando o Corpo se Faz Doce” é uma exposição irresistível, na verdadeira aceção da palavra, tanto que ficámos por lá mais de duas horas, na conversa com a comissária desta doce mostra, Paula Barata Dias, com a qual tivemos o privilégio de ter uma visita guiada bastante interessante e cheia de curiosidades (até discutimos sobre se a verdadeira origem dos Pastéis de Belém terá mesmo sido no Mosteiro do Jerónimos?!).

Erotismo e tradição no Museu de Lisboa
A nova exposição, que vai durar até ao próximo dia 10 de agosto, tem o condão de despertar todos os nossos sentidos, apresentando doces tradicionais portugueses, ao mesmo tempo que te provocará várias emoções, através destas sobremesas carregadas de simbolismos, a maior parte deles cristãos.
Nela vais encontrar mais de 30 exemplares da doçaria fina popular, muitas delas oriundas de Coimbra, mas também de outras geografias nacionais como Açores e Madeira.
De entre os que podem provocar mais reações estão os doces com nomes ousados, assim como os com formatos anatómicos ousados, todos eles com histórias picantes que cruzam a espiritualidade com tradições seculares.
“Maminhas de Freira”, “Beijinhos”, “Pirilau de Frei Ambrósio”, “Pitos e Ganchas” ou “Barriga de Freira” revelam histórias humorísticas e de muita criatividade, assim como a irreverência da cultura alimentar no nosso país, que ainda hoje se mantém.



As receitas que aqui vais encontrar misturam ingredientes simples – a maior parte deles com base em ovos – com simbolismos complexos que, possivelmente, desconheces mas que aqui vais ver revelados, tornando esta exposição inédita e muito peculiar.
A curadoria inovadora de Paula Barata Dias, especialista em religiosidade e alimentação, oferece um olhar aprofundado sobre a simbologia dos alimentos em Portugal, que afirmou que
Comer estes doces é participar com Deus na criação do mundo.”

Programação especial e grátis para todos
Esta é uma deliciosa oportunidade de mergulhares no universo açucarado e irreverente da nossa herança doceira.
A exposição “Quando o Corpo se Faz Doce” inclui ainda:
- palestras temáticas (17 e 31 de julho, às 18h30);
- lançamento de um catálogo especial (24 de julho).
Morada: Largo de Santo António da Sé 22 (Museu de Lisboa – Santo António)
Horários: até 31 de julho, de terça-feira a domingo, das 10h às 20h; de 1 a 10 de agosto, de terça-feira a domingo, das 10h às 18h
Bilhetes: 3€
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