Há cada vez menos gente a ir ao cinema em Portugal. Em 2025, as salas do país receberam cerca de 10,9 milhões de espectadores, menos 8,2% do que no ano anterior e o número mais baixo desde 1996, se não contarmos com os anos da pandemia, segundo dados do Instituto do Cinema e do Audiovisual citados pela Renascença. Mas, na Avenida 5 de Outubro, há uma sala que está a fazer o caminho contrário.
O Cinema Nimas fechou 2025 com 88.512 espectadores, mais 31,5% do que no ano anterior, de acordo com a Mensagem de Lisboa. Não vende pipocas, não passa publicidade antes dos filmes e só tem uma sala. Pelos números, a fórmula está a resultar.
Uma sala com mais de meio século de história

O Nimas abriu a 10 de outubro de 1975, no número 42 da Avenida 5 de Outubro, no mesmo ano em que abriram o Quarteto e o Cinebolso. Até o nome tem história: segundo o crítico e realizador Lauro António, «nimas» era a forma popular de chamar às salas de cinema, sobretudo às mais populares, longe das grandes salas como o Tivoli ou o Monumental.
Em fevereiro de 1993, a programação passou para a Medeia Filmes, de Paulo Branco, também diretor do LEFFEST, que ainda hoje explora a sala. Desde então, o cartaz junta estreias, reposições de clássicos e ciclos dedicados a grandes realizadores. O espaço está classificado e só pode funcionar como cinema, explicou Paulo Branco ao Observador.
Porque é que o público está a voltar ao Nimas
A receita assenta numa programação que mistura estreias com a história do cinema. Há cerca de cinco sessões por dia e cada filme passa uma só vez em cada dia, explicou António M. Costa, da Medeia, à Mensagem de Lisboa. Segundo o mesmo responsável, «Paris, Texas», de Wim Wenders, e «O Leopardo», de Luchino Visconti, enchem a sala sempre que voltam ao cartaz.

E não é só a geração que os viu estrear. Os ciclos de João César Monteiro têm esgotado e trazido público mais novo, incluindo nas sessões de fim de semana às 10h30 e às 11h. Numa sessão de «Psico», de Hitchcock, a média de idades não passou dos 25 anos, contou Paulo Branco ao Observador. Paulo Branco acredita mesmo que a sala tem, talvez, a melhor projeção do país.
O Nimas é uma das salas do LEFFEST, que decorre até 15 de novembro. É lá que decorre a retrospetiva de Lee Chang-dong e que passam filmes como «Ela Olhava sem Nada Ver», de Fanny Ardant, a 7 de novembro, às 21h30, com conversa com a realizadora.
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